O resgate tailandês e o aprendizado sobre dor e amor

O recente incidente com os meninos e técnico de futebol da Tailândia, presos em uma caverna, nos leva a algumas reflexões sobre como amor, solidariedade e união de pessoas e nações podem transformar o quase impossível em possível. Nós, seres humanos, temos a tendência de aprender por meio da dor e não pelo amor. No entanto, sempre é bom rever essa postura humana. Este evento, que acabou bem, pode ser um ponto de partida para reformularmos a nossa percepção, ou seja, será que é necessário que um grupo de crianças e um adulto tenham suas vidas expostas para que parte do mundo perceba que a força do amor coletivo salva? Que esse amor pode tirar milhares de crianças e de adultos das cavernas em nosso entorno? Um exemplo são meninos e meninas refugiados, de diversos países, vivendo em condições precárias e de risco, pelas ruas, expostas a fome, miséria, violência da mais variada espécie. Crianças que se escondem nas cavernas dos escombros das guerras religiosas no Oriente Médio. Nem precisamos ir muito longe. No nosso país, quantas crianças não estão abandonadas em abrigos ou vivem nas ruas, pedindo esmolas, catando alimentos do lixo. Por que precisamos de desastres pontuais para sentir solidariedade e amor quando as questões sociais estão aí, no dia a dia de milhões de pessoas em todo o Planeta?Indo além, estamos em déficit com pessoas até de nossa convivência, por não acolhê-las e tirá-las de suas cavernas escuras, onde não há amor, compaixão. Crianças e adultos que sofrem porque nasceram em lares onde o afeto não reina. No cotidiano de nossas vidas, transformamos essas pessoas, que vivem em cavernas emocionais, sociais e econômicas desfavoráveis, em seres invisíveis. A mídia não coloca foco nelas e nosso egoísmo nos faz cegos. Como salvar nossos filhos dos perigos das cavernas das drogas, do suicídio, da violência física e verbal, dos abusos emocionais e sexuais? Como lutar para que o Planeta Terra não se transforme em uma enorme caverna, habitada por pessoas infelizes? É urgente cuidar do nosso próximo para que estejamos bem conosco mesmos. Temos de mudar para que episódios pontuais, como o da Tailândia, não nos levem a concluir que somos insensíveis, mesquinhos e egocêntricos mesmo porque, um dia, podemos estar confinados em uma caverna qualquer, criada pelas questões mal resolvidas de nossas vidas. Aliás, atualmente, em que tipo de caverna você vive com seus familiares, no seu casamento, nas suas relações interpessoais e profissionais? Ela é inundada de mágoas, rancores, raiva e ódio ou de amor, acolhimento, afeto, solidariedade, união. Sim, porque as cavernas não são boas ou ruins, são apenas cavernas. Nós é que levamos para elas a cor, a luz, o calor. Ou as deixamos ficar abandonadas, sem cuidados, com tristezas e dores sem fim. Cabe a você construir relações em cavernas arejadas e que dão prazer de ficar. O importante é lembrar que o amor é a melhor maneira de preencher de vida qualquer caverna. Não é preciso esperar que a dor aconteça para se lembrar disso, não é mesmo? Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias
Pais heróis, filhos vazios

O amor incondicional nunca foi um bom método para criar filhos. Pais se tornam super-heróis e os protegem das mais diversas situações que são inerentes à condição humana, como frustrações, rejeições, perdas, medos, inseguranças. Transformar condições desfavoráveis ao nosso bem-estar em competências é necessário. Isso se dá quando internalizamos as diferentes vivências para que elas possam desencadear e gerar aprendizagem e resiliência, de forma direta ou indireta. Pais superprotetores, que anulam o sofrimento dos filhos, acabam por impedir aprendizados essenciais de como lidar com situações adversas, sejam elas emocionais/mentais ou físicas. Essa forma inconsciente de amar fragiliza os filhos, desmotivando-os a desejar algo básico como o que querem para si. Acabam vivendo o dia a dia sem qualquer sentido. Pais protetores querem determinar, consciente ou inconscientemente, o futuro de sua prole com base nos próprios desejos. É comum uma mãe ou um pai que sofreu abuso emocional na infância ou adolescência proteger tanto seu (sua) filho(a), a ponto de essa criança não saber distinguir uma brincadeira de uma manifestação de bullying na escola. Pais que passaram por sofrimentos psíquicos ou físicos, por necessidades emocionais ou materiais tendem a compensar seus filhos com excesso de proteção. Muitas vezes a maternidade ou paternidade dá lugar à postura de super-heróis, levando crianças e adolescentes a viverem em uma “bolha”, sem vontades aspirações, propósitos e objetivos próprios – e com medo de arriscar. São indivíduos que tendem a cultivar uma personalidade adormecida, inebriada, pouco sensível aos desejos e sentimentos do outro, como se este não fizesse parte de seu desenvolvimento. Muitos pais protegem os filhos em excesso por não saberem o que desejam para si. Pessoas que não têm um projeto de vida, portanto, não deixam os filhos crescerem e evoluírem. Isto porque crescer e evoluir estão intimamente ligados a aceitar os desafios impostos pela condição humana. A vida não tem um roteiro pré-definido. Na verdade, ele precisa ser construído com base em nossos sonhos, desejos e necessidades pessoais – e nas relações com o outro. O amor incondicional e a superproteção são “venenos” porque condenam os filhos a viverem “vazios” internos. E você? Que tipo de amor recebeu de seus pais? Você tem sonhos e desejos próprios ou ainda está condicionado ao que eles ditaram? Por outro lado, se você é pai ou mãe, de que maneira ama seus filhos? Como se impõe nessa relação? Pense a respeito e lembre-se: sempre é tempo de ser um filho proativo e um pai ou mãe que ama na medida certa, apoiando o desenvolvimento dos seus! Boa sorte! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias
Você vive suas relações com o “freio de mão puxado”?

“Gato escaldado tem medo de água fria”. Este ditado muito conhecido traduz o sentimento de uma boa parte das pessoas. Ou seja, quando sofremos algum trauma, nas próximas situações similares, ficamos em estado de alerta. Se pensarmos bem, para sobreviver a diversas circunstâncias, previsíveis ou imprevisíveis, tal postura de defesa se justifica como parte de nosso instinto de preservação. Ao mesmo tempo, o uso desmedido dessa defesa, em situações na família, no casamento, com amigos e nas relações profissionais, ou seja, andar com o “freio de mão puxado” sempre para evitar todo e qualquer sofrimento, pode gerar uma autossabotagem pouco saudável ao desenvolvimento pleno. De modo geral, pessoas que andam com o freio de mão puxado regulam suas ações vitais pela média. Ou seja, são pessoas que não querem se arriscar, nem ousar. Elas tentam controlar todas e quaisquer situações que estão vivenciando ou que acham que irão vivenciar. Convivem com um grau de ansiedade terrível, muito mais focadas no futuro do que no dia a dia. Tal atitude pode ter origem em traumas experimentados em suas famílias de origem, com pais, avôs, tios, primos e, também, em relacionamentos amorosos e profissionais, passando a desconfiar de tudo e de todos. Tentam se blindar dos sofrimentos, inerentes aos que estão vivos, o que os leva a não entrega nas relações, sejam elas quais forem. Há vários casos de homens e mulheres que sofreram abusos emocionais dos pais. Daí que muitas não querem se dedicar totalmente ao casamento, ao parceiro, por exemplo, com medo de sofrer novamente. Outro exemplo é a pessoa que presenciou a infidelidade do pai ou da mãe. Quando se relaciona, mantém o freio de mão puxado, porque desconfia do parceiro ou da parceira e prefere ficar numa relação superficial para evitar um, quem sabe, sofrimento da mesma origem. Não é ruim ser gato escaldado. Ninguém quer sofrer. Mas deixar de viver novas experiências de forma mais tranquila e entregue pode gerar outro problema sério: frustração que leva ao descontentamento, à infelicidade. Ou seja, vale a pena viver com intensidade, usando o bom senso. Agora é com você: como tem guiado os seus relacionamentos amorosos, familiares, interpessoais e profissionais? O “freio de mão” está puxado para não se entregar e evitar sofrimentos conhecidos? Ou você está arriscando e ousando, nos limites que sua estrutura emocional lhe permite e que seu bom senso te inspira? Seja sincero (a) com você mesmo (a) e viva a vida de maneira intensa. Com certeza os possíveis sofrimentos serão bem trabalhados se você entender que fazem parte e que ninguém cresce sem eles. Boa sorte! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias
Conheça o nosso Novo Curso MODULAR

A Escola FamiliacomVida tem uma GRANDE NOVIDADE para você que é profissional, estudante, que trabalha ou pretende trabalhar com casais e famílias. Nosso Curso de Especialização Clínica em Terapia com Casais e Famílias foi totalmente remodelado e ampliado, podendo agora, ser cursado em MÓDULOS. Você poderá escolher por qual dos 12 MÓDULOS deseja começar e depois, se quiser, poderá fazer outros módulos. Desta forma, estará livre para determinar a maneira mais interessante de cursar apenas o conteúdo que for do seu interesse. VANTAGENS DESTE NOVO MODELO – Módulos independentes – Metodologia Proativa – Você vai recebendo certificados segundo os cursos que for realizando. TÍTULO DE CADA UM DOS MÓDULOS Módulo 1 Terapia Familiar Sistêmica Breve Módulo 2 Terapia de Casal: uma abordagem Sistêmica Breve Módulo 3 Terapia Familiar com crianças e adolescentes: Uma abordagem Sistêmica Breve Módulo 4 Genograma Familiar e Família de Origem do Terapeuta (FOT) Módulo 5 Terapia sistêmica individual: soluções dos problemas pessoais e interpessoais a partir da família de origem Módulo 6 Terapia do divórcio e recasamento: Como evitar as repetições indesejáveis? Módulo 7 Família e escola: mediações e solução dos problemas escolares Módulo 8 Aconselhamento sistêmico de casal e família: solução dos problemas que envolvem questões emocionais e espirituais Módulo 9 Família e os transtornos psiquiátricos – uma abordagem sistêmica: prevenção, diagnóstico, tratamento e ressocialização Módulo 10 Coodependência afetiva: aprendizagens e soluções eficazes nas famílias de origem Módulo 11 Terapia Familiar e Doenças Relacionadas ao Trabalho: Prevenção, diagnóstico, tratamento e recuperação Módulo 12 As fronteiras e as intersecções entre a Inteligência Artificial e Terapia Sistêmica Breve Não perca tempo! Aproveite essa oportunidade para fortalecer sua carreira, ampliando seus conhecimentos e melhorando consideravelmente os seus resultados.
Prazer no desprazer: o perigo de viver o desejo do outro

Em uma roda de amigos, conversarmos sobre como é difícil e entediante a convivência com pessoas que não sabem o que querem fazer. Essas pessoas, na maioria das vezes, vivem de demandas e estímulos externos para se motivar e continuar levando a vida, sem nem mesmo saber para onde querem ir. O desejo do outro é o seu desejo. Como se ter um desejo individual fosse proibido. Essas pessoas, geralmente, nem mesmo sabem do que gostam ou o que lhes dá prazer. Isto porque as áreas de lazer e prazer foram desativadas, fazendo o que fazem por fazer. Verdadeiros “tarefeiros das emoções”. Quando indagadas a respeito, sobre suas preferências, acabam por não ter o que dizer, porque não pensaram a respeito, na verdade. E o que fazem ou gostam de fazer quando estão sozinhas? “Nada, porque não gosto de ficar sozinha (o)”. Também sentem muita dificuldade em expressar o que sentem, de falar sobre suas emoções. Pessoas assim precisam de um alerta. Porque quando deixamos de desejar e passamos a viver os desejos do outro, ou somos estimulados e motivados pelo que acontece somente no mundo externo, acabamos funcionando como um semáforo de rua desligado, ou seja, não reconhecemos mais o que significa o sinal vermelho, que indica perigo; o amarelo, que avisa para ter cautela; e o verde, dando passagem livre. Viver o prazer no desprazer também é uma forma de não se comprometer com as nossas escolhas, nos isentando dos compromissos e das responsabilidades. Viver no desprazer, apesar dos sofrimentos e dores, é uma postura que algumas pessoas aprendem ao longo da vida. Tudo para transformar medos em algo “conhecido”, menos ameaçador, no lugar de ousar e arriscar, de desejar algo que achamos não saber como lidar. No meu consultório, pergunto para alguns pacientes quais são seus planos e projetos para os próximos dois anos. De modo geral, eles respondem o que pensam para o trabalho, os filhos, a (o) esposa (o), bens que querem adquirir, um curso que pretendem fazer. Claro que tudo isso é importante, mas chamo a atenção para a ausência de desejos individuais que, quase sempre, não são prioritários. Normalmente, depende do desejo de fazer o outro feliz ou concluir um projeto de trabalho e estudos para que o seu desejo possa emergir de alguma forma. Viver sem desejar é como caminhar sem saber para onde ir. Existe uma dose cultural na nossa existência de que a vida deve ser acrescida de algum sofrimento. Cientificamente, essa máxima nunca foi provada. A cultura impulsiona, porém, crianças e adolescentes a abrirem mão de seus desejos individuais em suas famílias de origem, desde muito cedo, pelos mais diversos motivos (para evitar conflitos, para serem politicamente corretos, para se sentirem amados e aceitos). Isso leva, quando adultos, a desconhecer os próprios desejos. . Neste caso, fica outro sinal de alerta. Isto porque, quando adultos, podem ser facilmente manipulados, influenciados e desenvolvem baixa autoestima. Acabam por não se manifestarem nem lutam para impor as suas vontades. Em algumas situações, chegam a sofrer abusos emocionais, maus tratos, violências verbais e físicas, desrespeito, bullying. Também, em certos relacionamentos interpessoais, conjugais, familiares ou profissionais, são desvalorizados, podendo chegar ao ponto de desenvolver distúrbios mentais/emocionais e doenças psicossomáticas. Caso você se identifique com situações semelhantes a estas, faça o seguinte: crie uma tabela, no formato de uma cruz. Do lado esquerdo, coloque a palavra “créditos”. Do lado direito, a palavra “débitos”. Durante quinze dias, toda vez que tomar uma atitude priorizando o desejo do (a) companheiro (a), de familiares ou colegas de trabalho, passando por cima do seu desejo, marque um ponto na coluna dos “ débitos”. Quando você respeitar os seus desejos, coloque um ponto na coluna dos “créditos”. Ao final desse período, verifique se está com mais débitos ou créditos. Depois reflita sobre o resultado para saber se você tem deixado fluir seus desejos pessoais ou se ainda se pauta no que o outro quer e gosta. Se precisar de nossa ajuda para mudar o rumo das coisas e viver com base no seu prazer, é só entrar em contato! Estamos aqui! Boa sorte. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias
Homens machistas nascem assim ou se tornam no decorrer da vida?

Quando o brilho de uma luz é excessivo, ofusca a visão. A meia-luz, por sua vez, elimina esse excesso de brilho, sem eliminar a claridade. (Heidegger) Você deve estar pensando qual é a minha resposta para a pergunta do título. Pois te digo, sem medo de errar: somos todos machistas. E isto acontece por omissão, falta de conhecimento, comodismo, crenças limitantes, processos culturais ou por achar que o pior sempre acontece com o vizinho. Tanto é assim que acabamos por desenvolver um fenômeno conhecido como “audição negada”, que transforma o que é audível em inaudível, ou seja, de tanto escutar, eu não escuto. É como a conhecida “vista viciada”: vemos tanto a mesma coisa que, em determinado momento, essa coisa se torna invisível aos olhos. Indo mais fundo no escopo do machismo, o assédio sexual é como uma erva daninha que nasce em um canteiro de rosas. Todos olham as flores lindas e coloridas, sem perceber a contaminação e o mal que as ervas daninhas causam. Essa analogia espelha o ranço cultural do machismo perverso e doentio, justificado por pessoas detentoras de distúrbios mentais/emocionais desenvolvidos em um tecido social repleto de preconceitos e discriminação contra as mulheres. Nas famílias, nos casamentos, entre amigos, nas relações de trabalho, as “ervas daninhas” nascem por que alguém as plantou. Mas quem planta as sementes dessas ervas, que transformam meninos sadios em homens machistas? Tudo começa com comentários e posturas maldosos e preconceituosos, olhares atravessados que criam estereótipos sobre o que são as coisas de meninos e as de meninas, comportamentos discriminatórios (meninas não jogam bola, meninos não brincam de boneca). Daí vai para as empresas, que discriminam as profissionais mulheres, tidas como menos capazes. Por isso, muitas corporações ainda remuneram seus funcionários de forma diferente, por gênero, pagando menos às mulheres em cargos iguais aos dos homens. Dificilmente elas ocupam posições centrais, de CEOs, nas grandes empresas. Idem para profissões mais ligadas às áreas de exatas. A semente começa em casa, com pais e cuidadores. Muitas vezes é reforçada na escola e depois nas frentes de trabalho. Voltando ao tema do assédio, em pleno século 21 ainda existem homens – e mulheres – que acreditam em crenças medievais, como a de que os homens são caçadores e têm instinto sexual forte, por isso “precisam” de sexo (mesmo que a qualquer custo). Por outro lado, esses mesmos ignorantes veem as mulheres como frágeis e dóceis e que, por isso, elas se deixam assediar e, até, provocam, justificando abusos cometidos. Essas justificativas nada mais são que pensamentos doentios de uma sociedade repleta de ambivalência e comunicação perversa. Uma sociedade que se pauta em um “modus operandi” baseado em um código moral absurdo de que ser diferente no gênero prescreve tratamento desigual. Isso é machismo. Isso é violência. Mas quando essa forma de ser e ver a mulher vai mudar? Somente quando na educação infantil, os pequeninos, que ainda não sabem falar direito, se indignarem, batendo seus pezinhos no chão, em ritmo acelerado, interrompendo a aula para que o (a) professor (a) perceba que um(a) coleguinha mostrou a língua para outro (a) como um gesto de discriminação. Que essa reclamação passe a ser pauta da aula e que, em seguida, o conteúdo seja a discussão sobre respeito às diferenças e diversidades, também levado às reuniões com os pais. A beleza e o brilho das rosas não podem mudar a percepção que temos do nosso próximo. O que muda isso é o respeito ao outro, tendo-o como uma extensão de nossa vida. Caso contrário, ervas daninhas (machismo, assédio sexual, discriminação profissional) encontrarão um campo fértil para germinar, inclusive nas nossas famílias. Não existem herbicidas contra ranços culturais, a não ser que coloquemos o amor ao próximo acima do machismo injustificado, de uma sociedade desigual. Eu que te escrevo não sou uma rosa, nem um cravo. Sou um ser humano, como você, que deseja ser amado e respeitado pelas coisas boas que tenho a oferecer, independentemente do gênero que tenho. Por isso, devo agir da mesma forma, respeitando as pessoas pelo que elas são, como protagonistas de mudanças, sejam elas homens ou mulheres. Porque isso é o que menos importa! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias
Feminicídio: quando mulheres e esperança morrem juntas

“Certa vez, uma rã estava à beira de um riacho estreito, porém, com fortes correntezas. De repente ela ouviu alguém chamando, na outra margem. Era o escorpião. Ele precisava atravessar o riacho, por isso pediu carona, já que não sabia nadar e tinha medo de se afogar. A rãzinha estranhou e falou ao escorpião temer ajudá-lo, com medo de ser mortalmente picada. O escorpião a tranquilizou, dizendo que não faria isso. Disposta ajudar, ela atendeu ao pedido. Após nadar até a outra margem, colocou o escorpião em suas costas e iniciou a travessia. No meio do trajeto, sentiu uma picada. Olhou para o escorpião e perguntou por que ele fez aquilo, descumprindo sua promessa. ‘Além disso’, ela disse, “nós dois vamos morrer”. O escorpião não se intimidou e respondeu: ‘É de minha natureza matar!’.” Essa pequena história serve para ilustrar o que está acontecendo com algumas mulheres que, em nome do amor e da esperança, constroem seus relacionamentos com homens/escorpiões, tentando vencer os diversos conflitos, obstáculos e circunstâncias que a vida a dois ou em família impõe. Talvez alguns “pontos cegos emocionais”, não resolvidos nas histórias familiares dessas mulheres, as impedem de distinguir um homem que verdadeiramente as ame e as respeite daquele que só quer impor sua força e seu machismo violento. Mulheres estas que sofreram abusos emocionais/sexuais, que têm baixa autoestima, sentimento de inadequação na família (síndrome do patinho feio), ou que sempre são vistas como devedoras emocionais dos pais ou cuidadores. O desejo de matar, espancar, violentar, estuprar e praticar crimes hediondos por machismo, vingança e retaliações, constitui tragédias anunciadas e denunciadas, porém, o agressor ou assassino sabe que, em alguma instância, a impunidade está garantida por uma cultura doentia dos julgadores sociais (todos nós), jurídico e políticos. Um exemplo é o deputado federal que esbravejou, em plenário, que não estupraria uma colega da câmara, pois ela não merecia. O processo aberto contra ele está em andamento e o referido deputado é candidato ao cargo de presidente da república… O feminicídio é fenômeno complexo, que envolve todo o tipo de condições socioeconômicas e políticas. Porém, mulheres de classes menos favorecidas são mais vulneráveis, sofrendo essa situação de violência com mais frequência por parte de seus parceiros descontrolados e doentes, seja porque têm pouca cultura e informações como, também, pela falta de estrutura emocional e econômica para “peitar” e denunciar os agressores escorpiões. O que temos de ter em mente é que homens/escorpiões estão soltos por aí, infestando a nossa sociedade. Também precisamos analisar algumas características femininas que reforçam, ingenuamente ou inconscientemente, essa selvageria. Algumas delas são: > acreditar que o amor transforma alguém que não quer se transformado> acreditar na promessa de quem já agrediu outra ou outras mulheres de que não vai fazer isso com sua parceira atual> aceitar a agressão como condição inerente aos relacionamentos, uma vez que mãe, avô ou amigas passaram por isso e o casamento sobreviveu Acrescido a tudo isso, falta mais rigor à lei, mais delegacias das mulheres para acolher as denúncias e protege-las de agressões de retaliação. No nosso microuniverso, ou seja, em nossas famílias, clubes, associações, escolas, empresas, podemos impedir que essa realidade aumente, chegando aos nossos lares – se é que ainda não chegou. Munir homens e mulheres de mais informações e conhecimentos relacionados às condutas dos agressores, com maior realismo. Preparar de forma adequada pessoas de todos os gêneros para estabelecer relações sadias em que amor e esperança de um não sejam usados para estancar o veneno de homens/escorpiões, porque estes não param, não mudam, mesmo sendo amados. O Brasil é o 5º, no mundo, em que mais mulheres morrem por conta da violência doméstica. Vergonha! Muita vergonha de entregar essa nação aos nossos filhos e netos! Não podemos mais aceitar, passivamente, o ditado “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Temos de denunciar quando presenciamos atos violentos contra mulheres – e homens. É nosso papel de cidadãos e de seres humanos que acreditam em um mundo melhor, com respeito às diversidades. Denuncie! Disque 180 e salve a vida de uma mulher e de sua família. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias Compartilhe no FacebookSiga
Curso Modular – Modulo 2

Objetivo: Fornecer fundamentos teóricos e práticos aos profissionais, estudantes e pessoas que trabalham ou que se interessam trabalhar com casais, de modo que possam construir técnicas e ferramentas que possibilitem o sucesso e a eficácia do trabalho terapêutico. Público Alvo: Profissionais, estudantes das áreas de saúde, educação e humanas e pessoas que trabalham ou queiram trabalhar com famílias, nos diversos contextos relacionais: clínicas, escolas, comunidades, instituições públicas, privadas e religiosas. Conteúdo Programático: – Pensamento sistêmico– O casal como um sistema que se retroalimenta– Teoria da comunicação– Método sistêmico/vincular aplicado à terapia de casal– A formulação de hipóteses sistêmicas relacionadas à construção do casal– Matriz conjugal e missão conjugal– Ciclo vital e genograma cruzado– Escolha do parceiro, teoria do encontro– Modelo de entrevista conjugal– O “padrão que liga” o vínculo conjugal, padrão estrutural retroalimentador– Grau de indiferenciação dos cônjuges com relação à família de origem– Escolas: Terapia Estrutural e teorias dos sistemas familiares de Bowen– Metodologia sistêmica/cibernética utilizada no atendimento clínico de casais– Técnicas e ferramentas utilizadas para eficácia e qualidade dos atendimentos clínicos de casais– Exercícios vivenciais: dramatização de atendimento simulado de casal– Atendimentos clínicos ao vivo– Supervisão clínica e de casos– Seminários Temáticos: doenças autoimunes e psicossomáticas, distúrbios mentais/emocionais, dependência química, coodependência afetiva, enfermagem e família, casamento e espiritualidade, dentre outros. Diferenciais: Adesão de metodologias proativas – Aprendizagem por meio de atividades, de forma investigativa , desafiadora e colaborativa– Aprendizagem baseada na solução de problemas– Professor facilitador para selecionar experiências significativas dos participantes, contribuindo para a resolução dos problemas propostos– O aluno é o protagonista do seu processo de ensino-aprendizagem– Corpo do docente altamente especializado com vasta experiência no atendimento de casais– Metodologia sistêmico-cibernética como ferramenta criativa e eficaz no tratamento de casais Certificação: Certificado pela escola Família com Vida e Vinculovida. Data de Início: 22/Setembro/2018 (Sábado) A abertura de cada módulo está relacionada à existência de um quórum mínimo de 8 pessoas. Horário: 8h30 às 17h30 (mensais) Carga Horária: 72 horas/aula (48 horas/aula presenciais e 24 horas/aula a distância) Duração: 1 Módulo por semestre (6 encontros, sendo 1 por mês). Módulos independentes (não precisa cursá-los na sequência, mas pelos temas de seu interesse) Local: Rua Loefgren nº 528 – Vila Clementino – Próximo do Metrô Santa Cruz – SP Investimento: Consulte-nos sobre o valor do curso Informações: Tel.: (11) 5084-4749 Cel.: (11) 9 9276-1327 (WhatsApp) Clicando no botão do WhatsApp, em nossa página à direita, entrará em contato diretamente com o Prof. Sebastião Souza. E-mail: sebastiao.souza@familiacomvida.com.br – sebastiao.souza@vinculovida.com.br. Observação: Profissionais formados pela Escola Vinculovida terão desconto de 10%.
Máscaras são apenas máscaras e todos usam

Máscaras servem para quase tudo. Atividades lúdicas, artísticas, religiosas, simbolismo e como acessório de sobrevivência e proteção. Servem para disfarçar, ocultar, imitar, comemorar, sobreviver e até mesmo para se iludir. São adereços usados desde o início da civilização humana para rituais festivos ou em guerra na luta contra os inimigos. A máscara nas artes A máscara como elemento cênico surgiu no teatro grego por volta do século V A.C. No teatro grego, as máscaras eram instrumento essencial no figurino dos atores. Como as mulheres não podiam participar das apresentações, as máscaras representavam personagens do sexo masculino e do sexo feminino. A máscara nas festividades As máscaras são usadas em bailes de carnaval ou bailes à fantasia. Um exemplo notável acontece no carnaval de Veneza surgido no século XI. Na época do carnaval os venezianos, de todas as classes sociais saiam vestidos com um casaco preto largo, uma capa preta de seda cobrindo os ombros e uma máscara branca no formato de um bico. A máscara na pandemia Nos tempos da pandemia pelo covid-19 as pessoas, do mundo todo, foram orientadas a usarem máscaras para evitar a contaminação. Muitas pessoas entendem o problema e utilizam as máscaras, mas também observamos que muitas outras ignoram a função do uso das máscaras como proteção e sobrevivência.Será falta de conhecimento?Banalização da própria vida e da vida de terceiros?Será que no dia-a-dia, pessoas de forma proposital, colocam em risco a própria vida e a vida de outras pessoas? Por que usamos máscara? As máscaras são usadas por todos. Nós as usamos para nos engrandecer, por vaidade, para ocultar parte das nossas feridas, medos, inseguranças, rejeições, raiva e agressividade.Algumas vezes nós, na ânsia de ocultar a nossa identidade, criamos personagens que incorporam alguns tipos de máscaras e, quando as tiramos, não conseguimos nos reconhecer.Nos dias de hoje, as máscaras não são somente necessárias, são absolutamente úteis.São tantas as dores sofridas na vida, que nos apegamos a possibilidade de manter a esperança de um futuro melhor aprendendo a transitar entre o humano que éramos, e aquele que hoje sonhamos ser, convivendo com personagens vazios que criamos para sobreviver. Mascaras são adereços de proteção e sobrevivência.Quem você realmente é?Será que você está perdido nas diversas máscaras que criou para os seus personagens? Faça um teste Eu desafio você agora a fazer o seguinte teste: Faça uma lista com 05 (cinco) tipos de personagens que criou, na sua vida, para se proteger e sobreviver. Agora faça outra lista com 05 (cinco) qualidades e atributos que imagina serem de sua personalidade original. Compare as duas listas e se você achar que usa ou usou máscaras em excesso e precisa se livrar de algumas delas, procure ajuda. Lembre-se! Mascaras são apenas máscaras e todos ás usam. Boa sorte! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias
Que família, você gostaria de ter?

Que me ame bastante, para que possa ser o que sou. Quero uma família saudável, feliz e harmônica, mas que não coloque os conflitos embaixo do tapete. Se possível, que considere os conflitos como inerentes aos processos de desenvolvimento e evolução do ser humano. Proteção Ao me proteger, não me sufoque. Se me sufocarem, passarei a viver com um “zumbi-ambulante”, sem desejo e sem força de vida. Expectativas As expectativas e sonhos que tenham com relação ao meu sucesso, não obscureça seu olhar enxergando somente os meus fracassos. Se por ventura, as semelhanças e diferenças não atenderem o que desejavam para minha vida, que isso, não se torne um ponto de desavença. Rejeição e diferença Se por acaso, suas crenças e mitos não convergirem para aquilo que esperavam da minha postura no mundo, que não me rejeite. Quando eu me sentir triste, derrotado, fracassado ou rejeitado, procure me acolher; são dos seus braços que virão as forças para meu renascimento. Esse é só um modo de ser. Por favor, quando observarem que sou diferente, não me trate com desigual. Recebo isso, com um ato de violência. Se alguma dia eu acordar mau humorado, não me condenem, isso é passageiro, todos temos dias péssimos. Cuidados, lealdade e amor Eu quero uma família que saiba me cuidar, mas sempre que possível, me perguntem, se esse cuidado está fazendo sentido para meus propósitos de vida. E que, o amor incomensurável que sentem por mim, não distorça a realidade do mundo lá fora, para que depois, eu não venha descobrir a verdade, e me sinta traído. Se criaram ou imaginaram projetos pessoais e profissionais, para o meu ser, a partir dos seus sonhos, que esses, não neutralizem os meus desejos individuais. Que essa família, acredite na “semente” do amor, lealdade, carinho e afeto, que plantaram quando da minha fecundação. A semente que plantamos, é o resultado do fruto que colhemos. Problemas sempre existirão E, se fui adotado, que a minha adoção, não seja um segredo que possa trazer constrangimentos e conflitos para meus pais. Se por caso, tenho pontos de vista diferentes, não os receba, como deslealdade e ingratidão; é um jeito, de tentar ver o mundo com os meus próprios olhos. Enfim somos um “todo”, construídos por semelhanças, mas também por diferenças. Como quero ser aceito Tentem, aceitar-me e, se possível, amar e me acolher, pelo que sou. Caso contrário a minha individualidade, que foi construída com uma das mãos repleta de “amor”, será destruída pela outra, contaminada pela nossa simbiose familiar. Compreendam, que o “verdadeiro amor” é legitimar uma pessoa a partir do seu próprio jeito de ser no mundo, e não daquilo que queremos ou desejamos para ela. Como você deve ter percebido, sou igual a todo mundo e quero muito pouco. Você não acha? Desafio Que tal você escrever, aqui em baixo, qual seria a sua família ideal? Clique e compartilhe com seus amigos no Facebook. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias