Incêndio no Largo do Paissandu: as chamas da cegueira social anunciada

Nada de errado com o fogo, um dos quatro elementos que, segundo filósofos e pensadores da antiga Grécia, compõe os pilares básicos do universo: água, fogo, terra e ar. Graças ao fogo, a humanidade evolui e construiu ferramentas para sobreviver. Mas, como você já sabe, na madrugada de 1º de maio, um incêndio destruiu um prédio de 24 andares habitado por pessoas humildes, invisíveis à sociedade. Várias são as especulações sobre a tragédia anunciada. Todos sabiam e sabem que o fogo pode se transformar em um elemento perigoso, colocando em risco vidas humanas e a Natureza. Em geral, negligências causadas pela cegueira social são responsáveis por tragédias como essa, vitimando cidadãos (Sim, eles também são cidadãos como eu e você!) que vivem de forma degradante e desumana em espaços de miséria e descaso. Infelizmente, na nossa cultura, sustentada por “zonas de conforto”, as pessoas só conseguem se mexer, olhar para o lado, quando incidentes como o do prédio acontecem, levando à tona a enorme hipocrisia social que nos faz sentar em cima de situações humanas caóticas, como as das pessoas que não têm onde morar. Portanto, era preciso um incêndio daquela proporção para que feridas e mazelas sociais fossem iluminadas e as autoridades e a mídia se sensibilizassem com tal episódio. Comentários e julgamentos sobre o fato também deixam claro um lado humano triste, que compõe nosso tecido social falido, em que solidariedade, acolhimento e compaixão pelo próximo estão cada vez mais distantes. Quando o fogo se torna um elemento destruidor, várias mãos invisíveis estão por trás da manipulação dessa tragédia, em busca de bens financeiros, frutos da repugnante avareza, ganância, corrupção, ou seja, uma luta de classes pelo poder, inclusive com atitudes de movimentos sociais que, no caso dessa tragédia, cobravam aluguel de pessoas miseráveis, sem terem a propriedade do imóvel em questão. Em momentos como este, percebe-se o mau uso das interações humanas em uma sociedade competitiva, cega e destruidora, mais preocupada em transferir ao outro a responsabilidade de cuidar dos menos favorecidos, fomentando a velha forma de “tirar o corpo fora”. Diante de tudo isso, eu te faço um convite. O mesmo que me fiz no dia 1º, depois que soube do ocorrido. Pense bem sobre estas questões e seja honesto com você mesmo ao respondê-las: Seja feliz, é o que te desejo. Mas não se esqueça: viver em uma sociedade egoísta e desumana vai minar a sua felicidade. Por isso, faça diferença. Comece a transformar o que não é bom a sua volta mudando o que não é bom em você. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Minha mãe sempre me inquietou porque é uma ativista emocional

Ao longo da nossa convivência, não me lembro de ter existido um só dia em que minha mãe não agitou e inquietou a minha vida emocional. Nos namoros e casamento, lá estava ela com a sua sedução, falando nas entrelinhas que eu poderia fazer o que quisesse da minha vida, contanto que eu tivesse cuidado para não abandonar as pessoas que eu gostava. Nas minhas tomadas de decisões, sua voz ecoava nos meus ouvidos: “Tem certeza de que é isso mesmo que você deseja?”. E ainda: “Não que eu queira controlar a sua vida, mas pense bem!” Na maioria das vezes em que eu ia fazer uma escolha, uma voz lenta e suave dizia aos meus sentidos: “Lembre-se de que mais vale um passarinho na mão do que dois voando”. E se perguntada o que ela queria dizer com isso, ela respondia: “Você sabe como eu penso”, o típico argumento de quem fala sem dizer nada, mas passa uma mensagem subliminar. Pronto: minha mente já estava contaminada. Quando ela se via sem saída sobre alguma questão que a colocava “na parede”, dizia: “Nossa! Estou com uma dor de cabeça…”. Mesmo com aquele jeito um pouco dominador, minha mãe é nota 10. Foi ela que me ensinou a amar, a respeitar o próximo, me acolheu nos primeiros momentos da minha vida, quando o meu “desamparo inicial” como bebê era uma forte sensação de morte. Por isso, sou grato às agitações e inquietações que até hoje, indiretamente, ela provoca, nas minhas relações pessoais, interpessoais, conjugais, familiares e profissionais. Minha mãe me mostrou que é melhor ficar agitado e inquieto diante da vida do que ser abraçado pela inércia da morte, que promete uma existência calma e mansa, incolor e inodora, sem amor, acolhimento, aceitação. Ela sempre me dizia para eu ser um ativista do bem: “Leve carinho, amor, acolhimento, solidariedade. Viva e se entregue às relações com o próximo, porque, no final, são essas histórias que realmente contam”. Em suma, é seguir o velho e bom ditado: “Faça aos outros o que gostaria que fizessem com você”. Concordo com ela. Vida sem agitação e inquietação é para quem já nasceu “morto”. Aprendi muito com as agitações e inquietações da minha mãe, presentes nas situações amorosas, pessoais, profissionais e familiares. Não aceito o comodismo, a mediocridade, a hipocrisia, a injustiça, a intolerância e a falta de amor e carinho. Essa minha porção tem muito de minha mãe, uma flor de amor e carinho, por mim e pelos meus irmãos, mas que sempre espetou a minha vida emocional com seus espinhos amorosos, ajudando-me a me tornar a pessoa que hoje sou. Neste tempo de celebrar o Dia das Mães, sugiro a você que curta essa pessoa, seja ela quem for, ativista ou passiva. Observe-a, compreenda-a e a ame. Quando você ainda era um feto no ventre quente e calmo de sua mãe, você foi o ativista emocional da vida dela, que a motivou a ser mais do que ela jamais se imaginou capaz. Por isso, hoje você está podendo ler este texto. Se precisar, também a perdoe. Atos que podem ter te magoado lá atrás, ou que ainda te magoam, são frutos do que ela podia e sabia fazer. Acredite: ela se deu ao máximo por você. Por isso, seja feliz e curta sua mãe, mesmo se ela não estiver mais neste planeta. Ela merece se sentir aceita e amada, porque as agitações e as inquietações emocionais que temos, muitas vezes plantadas pelas nossas mães, nos fazem crescer, nos desenvolver e ajuda-nos a evoluir como seres humanos para amarmos uns aos outros. Por isso, ame! Um feliz e abençoado Dia da Mães! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Depressão infantil: uma bomba-relógio pronta a explodir

Pequenas mudanças nas pessoas ou em ambientes muitas vezes são imperceptíveis aos olhos comuns. Só podem ser vistas com “olhos da alma”. Quando estamos na praia, tomando sol ou dentro da água, raramente percebemos que a maré está subindo, já que tal fenômeno acontece de forma gradual. Só nos damos conta quando a onda molha nossos chinelos, perto do guarda-sol. Assim também acontecem nas dinâmicas familiares. Mudanças sutis são pouco notadas entre os membros de uma família. Comportamentos destoantes de crianças e adolescentes geralmente aparecem aos poucos, dia após dia. Pais e cuidadores sobrecarregados, correndo atrás da própria sombra, não percebem o que acontece no âmago de suas crianças e seus adolescentes que, acometidos pela depressão, vivem um não sentido para suas vidas, caminhando como “mortos vivos” em direção ao nada. Os “olhos da alma” dos adultos muitas vezes ficam cegos por conta de conflitos conjugais e familiares, como a disputa da guarda do filho, após uma separação conflituosa; o uso da criança no processo de alienação parental, seguido de abusos emocionais; a falta de amor entre os cônjuges, situação em que crianças são concebidas com a missão de resgatar casamentos falidos e desgastados. Mas tudo isso começa bem lá atrás. Conflitos entre casais e familiares são frutos de questões não resolvidas na fase em que cada um vivia na sua família de origem. Um exemplo disso são segredos mantidos a quatro chaves para não macular a imagem “positiva” no núcleo familiar. A história de um tio, um primo, uma irmã que praticou o suicídio, auge de uma depressão profunda, é contada com mentiras. O mesmo quando o tema é abuso sexual ou violência física no seio da família, doenças psiquiátricas, pais delinquentes ou presos… Experiências traumáticas que, quando não trabalhadas e resolvidas, cegam os “olhos da alma” de quem cuida e explodem os corações de crianças e adolescentes que se sentem desprotegidos, desamparados, cheios de medos. Difícil admitir que o filho tem depressão, assim como muitos pais não querem ver, acolher e apoiar filhos homossexuais. Essa recusa, implícita ou explícita, cega e impede que saibam distinguir um bebê quieto de um bebê triste, apático; uma criança “politicamente correta” e leal aos pais, mas isolada afetiva e socialmente, de uma criança tímida por sua natureza, mas que quando conhece pessoas acaba por se enturmar e interagir. Vale lembrar que, em diversas situações, comportamentos ideais podem significar um estágio do estado depressivo, assumidos como mecanismos de defesa para conseguir conviver e não aumentar os conflitos familiares que são, cotidianamente, “empurrados para embaixo do tapete”. Esses pais ou cuidadores, que denomino de “tarefeiros das emoções”, viajam, passeiam, se divertem em vários lugares lindos e maravilhosos do mundo com seus filhos, procurando emoções novas. No entanto, quando indagados se tais vivências fortaleceram seus vínculos com os filhos, não sabem dizer, porque não internalizaram as experiências, não alimentaram os “olhos da alma”. Em outras palavras, o que muda o “olhar da alma” não é o que eu faço, mas, sim, o que apreendo e que dá sentido ao meu “estar no mundo”. Crianças e adolescentes só vão encontrar sentido e significado na sua forma de viver se pais e cuidadores mudarem o foco das lentes, compreendendo que a qualidade não se mede pelo que se faz e, sim, se o que é feito contribui, de fato, à evolução emocional e espiritual dos envolvidos, especialmente os filhos. Tenho uma sugestão para você: peça aos seus filhos ou netos olharem para você e dizerem o que veem além do rosto, o que acham que você guarda dentro de seu coração. Escute atentamente o que eles contam e reflita muito a respeito, porque são palavras sinceras e cheias de sentimentos (que podem ser bons ou ruins). Depois é a sua vez. Olhe para dentro de seus filhos e netos e procure entender o que se passa com eles. O que os preocupa, o que os alegra, como se sentem. Comece a fazer isso todos os dias. Viva intensamente os momentos que compartilha com eles para descobrir como, de fato, eles estão. E lembre-se: a alma de nossos filhos e netos, muitas vezes, são espelhos.Abraços e boa sorte. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Baixar nosso E-book

“Relacionamentos e casamentos – um desafio humano que nos ensina a crescer” A Escola Familiacomvida, em uma iniciativa exclusiva, traz para você um e-book gratuito. Neste E-book você vai encontrar: Uma importante ferramenta para sua autocompreensão e seu autoconhecimento. O conteúdo também oferece subsídios para apoiar o seu trabalho com casais. NO VÍDEO ABAIXO VOCÊ VAI CONHECER MAIS SOBRE NOSSO E-BOOK Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Quais são os tributos que você paga nas suas relações?

Nestes tempos de impostos e taxas abusivas, resolvi conversar com você sobre outro tipo de conta que muita gente paga. Quando nos unimos a alguém, seja para namorar, noivar ou casar, a relação acaba por gerar algumas cobranças e encargos. No trabalho, e até mesmo em amizades, também é comum isso acontecer. Para exemplificar, compartilho um diálogo que tive com uma pessoa amiga. Ela me disse que andava chateada com o casamento. Sua parceira só gostava do lado bom desse amigo: “O que ela não sabe é que o meu ‘lado bom’ até eu amo. O meu’ lado ruim’ eu mesmo detesto”. Ou seja, nos relacionamentos, quem leva o bônus tem de levar, também, o ônus. A palavra tributum significa imposto, taxa ou contribuição que o Estado cobra do povo. Já, nas relações afetivas, vivenciamos os tributos emocionais. A questão que levanto aqui é se o que estamos pagando em nossos relacionamentos mantém uma qualidade emocional recíproca, de trocas sadias, que devem permear as nossas dinâmicas familiares, conjugais, interpessoais e profissionais. Ou será que essas taxas viraram cargas pesadas para levarmos adiante? Um exemplo: para conviver “bem” com um (a) parceiro (a), a pessoa precisa suportar vícios, violência emocional ou física, abusos, diretamente do (a) cônjuge ou de alguém da família, formada a partir dessa união. Neste caso, as “cargas tributárias” tornam-se pesadas demais e o pior: desencadeiam possíveis transtornos mentais e emocionais. Qual motivo leva algumas pessoas a viver tributadas nos relacionamentos com familiares, casamentos, filhos e vida profissional? Vou responder de forma genérica, mas tenha a certeza de que é por aí: autoestima baixa, dependência do outro, sentimento de eterna “dívida” com o outro, necessidade de reconhecimento. O que fazer para saber se os tributos, impostos ou taxas que se está pagando nos relacionamentos estão muito altos? Proponho esta reflexão: 1. Pense na sua história. Faça uma retrospectiva e perceba como você se comportou emocionalmente, desde a infância, nos momentos em que se sentia inseguro (a), com medo, desprotegido (a) e desamparado (a), sem acolhimento. 2. Como você se “defendia” ou se protegia nesses momentos? Você se calava, aceitava tudo, dizia sim, mesmo querendo dizer não para abusos e negligências de quem estava com você? Deixou de expressar sentimentos e demonstrar emoções para não ser agredido ou rejeitado? Para muita gente, o início da vida, com tantas carências emocionais, pode ter sido o começo de uma tributação sem fim, que leva à desconexão com o “eu”, criando uma enorme sensação de vazio. Os mecanismos de sobrevivência “soterram” as emoções para que se possam superar as dores da alma. Os tributos pagos, nesses caos, são demasiadamente altos: doenças emocionais, como fobias, síndrome do pânico; depressões (exceto as oriundas de predisposição biológica) e somatizações. Nesses casos, greves não adiantam. Para preencher o vazio e voltar a se conectar, é preciso rever a história, quebrar ciclos e reacender emoções e desejos, amando-se mais. Não é uma tarefa simples e, dificilmente, possível de se assumir sozinho. Nessas horas, a ajuda profissional pode fazer diferença e trazer de volta a alegria de seu autodescobrir, consolidando uma autoestima capaz de traçar novos caminhos pela vida. Acredite: é deste combustível que todos nós precisamos. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Algumas famílias impulsionam. Outras “congelam” a vida

Certa vez, eu e minha esposa fomos convidados a intermediar uma conversa sobre uma peça de teatro. O enredo, resumidamente, mostrava a viagem de um grupo de teatro que sofria um acidente aéreo fatal, em que todos os integrantes da trupe morriam. Os atores do grupo se questionavam se estavam mortos ou vivos, como se presos em um espaço intermediário, uma espécie de “coma profundo” em um corpo que não respondia mais, mas a mente permanecia em “transe”. Ao final da apresentação da peça, fomos chamados ao palco para, com os atores, realizar essa conversa com o público. O silêncio era geral. A morte sempre será um tema pesado, que nos cala. Sabendo disso, tomei a iniciativa e perguntei: “Aqui, quem está vivo e quem está morto?”. Uma pessoa levantou a mão e respondeu: “Estou viva”. Continuei: “Por que você acha que está viva?” Ela disse: “Porque meu marido me ama.” Uma resposta que fez muita gente se mexer na cadeira. Todos, ou a maioria, sabiam que estar vivo, em termos biológicos, significava sentir o coração batendo, a mente funcionando, a respiração seguindo normal… Ou seja, naquela plateia, bioquimicamente, todos estavam vivos. O que surpreendeu foi essa pessoa dizer que estar viva se relacionava a ser amada por seu parceiro. Vamos pensar juntos, usando essa experiência como inspiração para falar de um tema que tem, cada vez mais, ocupado as manchetes dos jornais: o suicida é um ser que perde a esperança de ser amado, aceito, acolhido por aqueles que prometeram cuidar dele. O suicídio, para quem está de bem consigo mesmo e com a vida, parece algo inexplicável. “Como assim o fulano se matou! Ele tinha filhos, netos, ele tinha um emprego, ele tinha saúde, ele sempre teve tudo…” Perguntas inesgotáveis que provavelmente o suicida se fez, mas cujas respostas não foram suficientemente claras a ponto de consolá-lo e confortá-lo, amenizando dores de sua alma. O suicida não se sente vivo, não encontra naqueles em que depositou esperança o remédio para curar a dor interna e devolver-lhe a força e a vontade de viver. Ele não consegue encontrar em ninguém ao seu lado o amor. Vale ressaltar que, em muitos casos, existe a predisposição biológica. Há pessoas que sofrem sérias consequências por conta de questões não resolvidas anteriormente, segredos, vulnerabilidades emocionais e, até mesmo, fragilidades no enfrentamento de certas questões de sua existência. Negam, inconscientemente, o “abraço da vida” aos seus filhos, por exemplo. Muitas famílias tendem a se desestruturar e a “congelar” quando enfrentam o suicídio de um de seus membros. É aí que mora o perigo, porque se calam e não falam das dores que estão machucando suas almas, se isolam, se fecham, ou ainda, fingem que nada aconteceu, “seguindo em frente”. O suicídio deixa marcas indeléveis na psique de todos os familiares e nas gerações posteriores. Alguns parentes de suicidas adoecem depois do traumático acontecimento. Outros desenvolvem quadros de tristeza que, se não tratados, acabam se transformando em melancolia profunda ou depressão. Famílias congeladas por questões não resolvidas, como segredos de abusos emocionais e sexuais sofridos, violências domésticas, mentiras, falta de amor, acolhimento e afeto, no presente e passado, muitas vezes são incubadoras que congelam os seus em uma espécie de “coma”, sem ter um sentido na vida, sendo o suicídio uma forma de alívio. Quem está vivo na sua família? Que tal fazer essa análise de forma sincera e cuidadosa? Então, atribua a cada item abaixo uma nota de 1 a 3, sendo 1 = nunca; 2=um pouco; 3=sempre Com relação à vida das pessoas que vivem com você (parceiro/a, filhos, irmã/ãos etc.), como é a sua relação com cada uma delas? a. Sei o que se passa na vida de cada um, dos problemas às boas conquistasb. Tenho facilidade de mostrar meu afeto e carinho a cada um delesc. Tenho um vínculo forte, de confiança, com cada um delesd. Sei acolher quando estão tristes, enfrentando alguma dificuldadee. Não desprezo quando buscam minha ajuda, mesmo para coisas que, para mim, são banaisf. Sei escutar e não sou do tipo que dito regras. Ajudo-os a pensarg. Não uso qualquer tipo de meios mais agressivos para me impor quando tenho de fazer valer o que penso (gritos, castigos e afins)h. Na nossa família, temos problemas como qualquer outra, que discutimos e procuramos entender sem fazer segredos ou ocultar verdades Sejam lá quais forem as suas respostas, sempre é tempo de melhorar as relações e zelar pelo seu bem-estar e o das pessoas que você ama. Caso precise de ajuda, conte comigo! Fraterno abraço, Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Como exterminar fantasmas do passado ou transformá-los em “gasparzinhos”

Não costumo assistir à televisão, mas existem alguns desenhos animados pelos quais tenho certo apreço, como o Gasparzinho, aquele fantasminha camarada, que só quer conversar e brincar com as crianças, mas acaba por assustá-las. Você deve estar se perguntado: “Mas o que isso tem a ver com este artigo?”. Pois te respondo: tem tudo a ver. A arte de transformar necessidade em reconhecimento tem origem, na maioria das vezes, nos “fantasmas familiares”. Aqueles que carregamos em nossas vidas e que nascem a partir de experiências traumáticas vividas em nossa infância, adolescência ou vida adulta. Você deve ter conhecido pessoas que vivem fazendo média com ex-marido ou ex-esposa, ex-noivos e ex-namorados, só para evitar maiores conflitos. Pois saiba que evitar certos conflitos é uma das “poções mágicas” para transformá-los em “fantasmas”. Na vida profissional, por exemplo, tem aquele que faz de tudo, ficando até doente, só para agradar seus superiores, indo além de seus limites físicos e mentais. O medo e a insegurança com relação à perda do emprego se transformaram em verdadeiros “fantasmas”. Sejam nas dinâmicas familiares, conjugais, na vida pessoal ou interpessoal e profissional, a necessidade de reconhecimento pode se transformar em uma armadilha e acaba acontecendo especialmente com quem se sente inseguro, desprotegido, desamparado, abandonado e, em certos casos, rejeitado por quem deveria, na verdade, cuidar e amar (pais e outros adultos de referência), na infância e adolescência. O reconhecimento, na idade adulta, é um tipo de compensação para essas carências afetivas. O uso excessivo e doentio do trabalho muitas vezes desenvolve um grau elevado de inteligência cognitiva e de perfeccionismo que fortalecem na pessoa a ideia de que é um “semideus”. Usar esses escudos de reconhecimento para alimentar a carência pode gerar dívidas emocionais, conferindo à pessoa uma falsa identidade com base no êxito profissional, material e financeiro e, às vezes, na intelectualidade. Como tais necessidades advêm de carências afetivas de outra ordem, o resultado é que a “conta” não fecha. Quanto mais trabalho, mais dinheiro, mais acúmulo de bens materiais e de um intelecto primoroso, mais a pessoa se afasta do ”vazio“ que deseja preencher – e que vai ficando cada vez mais vazio.Gasparzinho, o fantasminha camarada, é um exemplo de preencher esse “vazio”, já que “fantasmas” nunca deixaram de existir, então, transformá-los em “camaradas” acaba sendo uma maneira de conviver com esse espaço oco interno. Mas como assumir uma identidade verdadeira e saudável? É preciso um trabalho intenso de reconciliação, de perdão, com tentativas de aproximação, ressignificando algumas interpretações equivocadas que nos machucaram. Enfim, é preciso construir novas leituras de nossas vidas. Esse empenho é necessário, porque os fantasmas não nos deixam crescer, avançar, e nos atormentam. Como você está com seus fantasmas? Se eles existem, procure identificá-los e transformá-los em fantasminhas camaradas. Melhor fazer as pazes com eles, porque são parte da sua história, você querendo ou não. Se para fazer isso sozinho é complicado, nós podemos te ajudar. Temos experiência em lidar com “fantasmas” de todo o tipo. É só entrar em contato! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Síndrome da última “bolacha do pacote”

Nada mais chato do que conversar ou conviver com pessoas que “se acham”. É fácil identificá-las. De modo geral, elas conversam em primeira pessoa: “eu fiz isso e aquilo, recebi muitos elogios do fulano ou do ciclano, eu construí aquele projeto, eu faço trabalho social…”, enfim, o mundo gira em torno delas. O mais interessante é que essa maneira de se colocar denota, na verdade, autoestima baixa e uma necessidade de se autoafirmar. O problema é que muitas pessoas que se sentem a última bolacha do pacote tendem a distorcer a realidade, inverter os fatos e acontecimentos, colocando-se, quase sempre, no papel de “vítimas”. Quando os argumentos e justificativas acabam, elas tendem a usar atitudes ditadoras. Provavelmente, nas suas relações pessoais, interpessoais, conjugais, familiares e profissionais, esses indivíduos passaram por sérios conflitos, causando mágoas e desrespeitos nas pessoas com quem conviveram. Esse tipo de indivíduo imagina que faz sempre tudo certo, que é politicamente correto e, quando alguma coisa sai errada, a culpa é do outro ou de uma situação. Ou seja, todos conspiram contra ele. Outra característica dessa pessoa, agindo dessa forma, é a imaturidade, típica de quem ainda tem comportamentos infantis, transferindo suas responsabilidades para alguém. Quem sofre da “síndrome da última bolacha do pacote” tem medo de crescer e encarar a realidade de que ele não é o centro do universo. Gratidão é um sentimento que desconhece, sendo egocêntrico, egoísta, com olhos para o próprio umbigo. O homem ou a mulher, quando namora ou casa, banca o gostosão, a namorada ou o namorado fica na sua sombra. Só ele (a) quer brilhar. Na família faz de tudo para sempre aparecer e ser o(a) queridinho (a). Com os amigos ou no trabalho, tudo o que faz é o melhor. Enfim, tais pessoas só não se dizem melhores que Deus porque aí pegaria mal demais – isso não significa que, em momentos extremos, quase acreditem nisso… Os semideuses. É ou não é muito chato ter um amigo desse? Mas ainda pode piorar: ele não tem senso crítico, usa jargões e gírias ou eloquências em tom professoral para dar sua opinião (quase uma ordem), como se estivesse na sala de aula e todos, ao seu redor, fossem seus aprendizes. Muitas vezes traz para a conversa suas crenças políticas, sociais, econômicas, religiosas, mas com argumentos frágeis e pouco sustentáveis, defendendo sua verdade como única. É aí que a gente percebe que essa última bolacha murchou dentro do pacote, porque, de agradável e instigante, não tem nada. Mas sejamos francos: todos nós, um dia na vida, nos sentimos os melhores do mundo. Temos essas fases e isso faz parte do aprendizado, justamente para que saibamos o que precisamos mudar e que todos têm limites e defeitos. Quando é uma etapa, tudo bem, mas quando vira uma síndrome, um estilo de vida… Que chatice! Então, sugiro que você faça uma autoanálise para perceber se já passou pela síndrome e o que aconteceu para sair dela. Se você está vivendo-a neste exato instante, cuidado para não se tornar o chato da vez. Converse com as pessoas mais próximas e pergunte se algo em você é muito arrogante, ditador. Essa é uma boa maneira de iniciar boas transformações, ouvindo quem te conhece para saber mais de você mesmo. Boa sorte! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

No futebol e nas famílias, regras valem para evoluir

Dedico um tempo significativo da minha vida pessoal e profissional tentando compreender o padrão de funcionamento mental das pessoas. Tal dedicação, por vezes, me deixa inquieto. Não é simples entender o que um ser humano espera do outro. Exemplo disso é a experiência que vivenciamos com a Copa do Mundo, espetáculo que mobiliza e reúne boa parte da população mundial em bares, casas, estádios para assistirem aos jogos. Quantas vezes vemos a quebra de regras no campo, por motivos duvidosos? O que me intriga é justamente saber que os mesmos que estipulam as regras (ou concordam com elas) são os que as burlam ou as desobedecem em prol de si mesmos. Assim como nos jogos de futebol, as dinâmicas familiares e conjugais, nas devidas proporções, são regidas por contratos e regras anteriormente combinados. Todos sabem que as partidas de futebol obedecem a um calendário, com intervalos e períodos entre as competições. Isso significa que a convivência entre os jogadores não é na mesma intensidade do que a das famílias, já que são poucos os intervalos de solidão plena entre casais, pais, mães, filhos. Entender a necessidade humana de quebrar ou burlar regras de convivência é um passo para compreender o padrão de funcionamento mental das pessoas. Pense comigo: se tudo está como o combinado, não há porque ter conflitos, nem inquietações mentais. A partir do momento em que uma regra é quebrada, gera conflitos que, na verdade, podem se transformar em fontes inspiradoras e de desenvolvimento, crescimento e evolução. É humano quebrar regras, assim como faz parte da competição os desafios, a ousadia e a inquietação. Porém, quando no futebol, nas famílias e nos casamentos os jogos se tornam competições desonestas, perversas, nos quais os parceiros deixam de ser considerados adversários de uma convivência limpa e autêntica e passam a ser vistos como inimigos, para prevalecer resultados favoráveis a qualquer custo, a competição vira guerra. O tal do “salve-se quem puder”. Tem sido assim no futebol, nas famílias, nos casamentos e nas relações interpessoais e profissionais. Virou praxe ver, na Copa do Mundo, jogadores saírem do campo machucados maldosamente pelos adversários. Não é muito diferente de um filho que agride verbalmente ou fisicamente um pai ou vice e versa. Ou quando um homem ou uma mulher transformam um (a) ex-parceiro (a) em objeto de retaliação e vingança, a ponto de cometer qualquer tipo de agressão, chegando até a morte. Tem um ditado que diz: “o combinado não sai caro”. Se você joga bola ou pratica outro esporte qualquer, se é casado, tem família, amigos pessoais ou profissionais, é importante lembrar sempre que, nessa competição geral, se quisermos qualificar o dom da vida, deveríamos usar uma única regra: “o que não quero para mim, não devo desejar nem conspirar para meu próximo”. Dessa forma, todos saem vencedores. Por isso, cuide com carinho e amor quem está ao seu lado, criando uma competição entre você com você mesmo. O objetivo? Ser um ser humano cada vez melhor. Cresça, se desenvolva e evolua, pois, no final, o grande vencedor é você diante da vida que escolheu para si. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Dependência emocional: o vício de amar

Em tempo de crise nos relacionamentos, algumas perguntas são inevitáveis: Pois bem. O objetivo deste artigo é levantar algumas reflexões e propor caminhos para aliviar, minimizar ou curar uma possível forma doentia de amar. A complexidade que envolve as dinâmicas relacionais familiares, conjugais e interpessoais tem suas origens nas histórias familiares que construímos nas gerações anteriores. A forma de amar doentia é apreendida em contextos familiares desestruturados e patológicos, nos quais um dos membros da família é submetido a abusos emocionais, como: submissão, violência verbal e física, rejeição, desvalorização, desamparo e desproteção, dentre outros. Estes são componentes desencadeadores de autoestima baixa, autoimagem negativa acompanhada, geralmente, de um processo de falta de assertividade, ou seja, pessoa que não sabe dizer “não” e que, por se sentir desvalorizada, tenta sempre agradar o outro. Isso significa que pessoas “viciadas” em amar são extremamente dependentes da aprovação do outro. Aceitam migalhas de amor e afeto para não ficarem sozinhas. Submetem-se a maus tratos e, ao final, acabam por perdoar e justificar as atitudes do (a) parceiro (a) agressor (a). Consciente ou, na maioria dos casos, inconscientemente, essas pessoas acreditam que é melhor ficar ao lado de alguém, mesmo que nessas condições, do que viver sozinhos (as). Isto porque temem encarar seus medos, inseguranças, vulnerabilidades e fragilidades que herdaram das famílias de origem. A dependência emocional é doença compulsiva geradora de posturas autodestrutivas e destrutivas, podendo levar o (a) dependente a entrar em um processo de deterioração da percepção da realidade. Um exemplo é acreditar que realmente merece ser maltratado (a), porque foi assim que ele (a) vivenciou os maus-tratos sofridos por seu pai ou sua mãe, avôs ou avós. Muitas vezes, ao trabalhar a compulsão da dependência, a pessoa acaba transferindo-a para outro vício, como o álcool ou tabagismo. Depois, transfere para, por exemplo, a prática excessiva de exercícios físicos ou ao consumo desmedido de alimentos, como formas de compensação. Importante salientar que substituir a dependência emocional por outra coisa não leva à cura, nem à minimização dela. A pessoa só consegue saber se está curada quando voltar a se relacionar com alguém, sem repetir os mesmos erros. Dependendo do grau dessa dependência, apenas o apoio de um profissional pode ajudar a pessoa a encontrar novos caminhos, posturas e ações para ter uma relação saudável, sem vícios. Mas e você? Como está o seu relacionamento? Se quiser avaliar a sua relação, realize este teste: Convide seu (sua) parceiro (a) para uma viagem no fim de semana, de preferência em um período chuvoso e com muito frio. Caso tenha filhos, deixe-os com amigos ou familiares. Proponha não usar o celular, nem assistir TV ou ler livros. Também combinem que não vão conversar sobre filhos, trabalho ou qualquer outra coisa que fuja do tema principal: vocês dois. Saiam para caminhar. Ao final do terceiro dia, façam um balanço de como foi ficar juntos e exclusivamente focados um no outro. Como cada um se sentiu estando a sós com a pessoa que elegeu para amar. Foi uma redescoberta? Gerou aproximação e muito diálogo? Criou-se um novo espaço qualificado para abrir sentimentos e falar de descontentamentos? Ou foi um tédio e cada dia parecia um fardo? As conversas acabavam em discussões e acusações? Não se teve entendimento, mas, sim, troca de mágoas? Depois das conclusões é preciso que, honesta e sinceramente, ambos se coloquem sobre o que desejam para si e para a relação. Só assim será possível entender se o que se sente é amor ou dependência. Para encerrar nossa conversa, cito uma frase do escritor e poeta Rubens Alves: “Imagine você daqui a 10, 15 ou 25 anos, deitado em uma rede, no alpendre de sua casa, junto com essa pessoa. O que vocês estariam conversando?” Rubens Alves dizia: “Tem carinhos que se fazem com as mãos e tem carinhos que se fazem com as palavras“. Caso precise de ajuda para resgatar ou fortalecer sua relação, estamos aqui! Basta entrar em contato. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias