Teste para saber se você é um codependente afetivo!

Você precisa ser aceito e querido por todos? Necessita ter alguém ao seu lado, como parceiro (a), seja a pessoa quem for? Tem dificuldade de dizer não? Vamos descobrir? Faça o teste, mas seja bem sincero com você. É só responder ao questionário, assinalando as alternativas que condizem com seu comportamento e sentimentos. Identifique o seu grau de codependência afetiva.  Para conferir o resultado veja o quadro abaixo do questionário. Assinale as características que têm tudo a ver com você:01.(   )  Você sente que precisa fazer de tudo para parecer bom02.(   )  Não sabe dizer não03.(   ) Está sempre tentando agradar a todos04.(   ) Sente-se vítima e muito injustiçado(a)05.(   ) Engole todos sapos possíveis e imagináveis06.(   ) Em geral, para não comprometer sua imagem de boa pessoa, não demonstra o que sente, nem fala o que pensa (prefere não discutir e se calar sempre)07.(   ) No lugar de ser você mesmo, desenvolveu um personagem para dizer sempre o quer o outro quer ouvir08.(   ) Você gostaria muito de ser mais humilde e até se coloca como, mas no fundo, é uma maneira de ser aceito(a), porque tem outros pensamentos sobre as pessoas e você mesmo(a)09.(   ) Sente-se mal quando ouve elogios porque não gosta de se expor10.(   ) Quer se desenvolver e crescer na empresa, nas relações, mas prefere fazer isso sem que as pessoas vejam, sem visibilidade11.(   ) Às vezes prefere não aceitar a realidade e se isola, fingindo que as coisas não são como se apresentam12.(   ) Finge ser ingênuo(a) para  sobreviver13.(   ) Vive um mundo próprio, sem se ater ao que acontece ao redor e, por isso, acaba por medir e julgar fatos e experiências com base em um mundo particular14.(   ) Às vezes prefere ter comportamentos mais infantis para se livrar da dura realidade Orientações:A codependência afetiva é uma prisão. A pessoa não sabe, de fato, quem ela é. Age e fala aquilo que gostariam que ele(a) fizesse ou dissesse. A falta de personalidade própria, o medo de ficar sozinho(a), da crítica ou do reconhecimento são características que empobrecem o estar e viver neste mundo. Mas nunca é tarde para resgatar o “eu” e viver melhor, colocando-se nas ações e nas relações de maneira a deixar a marca pessoal, contribuindo de uma forma autêntica por uma sociedade melhor. Obter a plena aceitação do outro é ilusória. Não podemos agradar e recitar a cartilha dos outros. Temos de ter a nossa cartilha que, claro, respeite as demais opiniões, mas nos coloque de forma clara – e feliz – na vida do outro, pelas qualidades e limites que temos. O codependente emocional acaba sendo uma pessoa falsa e vazia. Duro ouvir isso, mas é a verdade. E mais: muitas pessoas são assim, porque a vida com as famílias de origem não foi fácil, exigiu defesas que acabaram por se reproduzir nas relações pessoais, sociais e profissionais. Pense nisso!Se você é um codependente assumido, já deu um grande passo para  se transformar. Como? É só nos procurar que podemos ajudá-lo(a):1.Descobrir a origem da codependência2.Criar mecanismos para desconstrui-la3.Resgatar quem você é, de fato4.Colocar-se nas suas relações de uma forma autêntica: a sua forma de ser, que te faz bem, leve e solto(a)! Aproveite e leia estes dois artigos sobre o tema, para inspirá-lo (a).Depois, ligue para nós e agende uma conversa: (11) 5084-4749 ou 99239-1912 https://familiacomvida.com.br/index.php/codependencia-p1/https://familiacomvida.com.br/index.php/codependencia-p2/ Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 1

Você vive uma dessas situações na sua relação? Conhece alguém que passe por isso? Quem sabe algumas das informações que quero compartilhar neste artigo possam contribuir para aliviar, minimizar ou libertar você ou seu amigo dessas formas aprisionadoras de parcerias conjugais, construídas especialmente nos períodos de crise. Mas talvez você seja um afortunado e não vivencie nada disso. Se assim for, parabéns! Continue driblando as crises do seu relacionamento, pois, provavelmente, você é um artista ou um mágico. No entanto, caso seu casamento tenha se transformado em um emaranhado de armadilhas impossíveis e imagináveis, então seja bem-vindo ao mundo dos mortais. Nem sempre o sonho de um casamento sem conflitos é possível, principalmente quando se trata de relacionamentos humanos. Na maioria das vezes, desejo e realidade são incompatíveis, raramente se tornam complementares. Porém, não fique assustado ou triste. Saiba que os sentimentos de frustração, fracasso, rejeição e os desencontros diante nos relacionamentos são algumas das experiências que permeiam as dinâmicas conjugais. É comum encontrarmos casais apaixonados que se declaram diariamente os mais sortudos do mundo: “Encontrei minha cara-metade, minha alma gêmea, meu par perfeito”. Então, caro leitor, é aí que mora o perigo. Isto porque o desejo e a realidade se sobrepõem, e é assim que se inicia uma procura pela completude, levando os cônjuges a uma “cegueira conjugal aprisionadora”. A gaiola que aprisiona O casamento “gaiola de ouro” aparentemente parece um modelo bem-sucedido. Quando acrescido de status social e econômico, melhor ainda, afinal, quem compara a vida conjugal a ouro é reconhecido e referendado pelos seus pares, já que ter uma relação no estilo “sonho dourado” faz parte da expectativa de todos os que se casam. Alto lá! Não podemos esquecer que os cônjuges permanecem presos. É sempre bom lembrar que, apesar de ser de ouro, é uma gaiola, e quem está preso não pode voar para muito longe. Ao utilizar a metáfora “gaiola de ouro” como um padrão relacional aprisionador dos cônjuges é importante compreendermos quando esse modelo de relacionamento começou a ser construído. Muito provavelmente, os primeiros materiais conscientes e inconscientes usados para o início da construção da “gaiola de ouro” dos cônjuges fazem parte de suas histórias individuais trazidas das famílias de origem. De modo geral, essas histórias carregam consigo algumas questões não resolvidas como: segredos, crenças, lutos não elaborados, conflitos com o pai ou a mãe, lealdades familiares. As questões não resolvidas nas famílias de origem dos cônjuges têm a capacidade de transformar o material de primeira mão utilizado pelo casal durante o casamento em material de segunda, ou seja, as questões não resolvidas nas famílias anteriores contaminam o material usado para construir a “gaiola de ouro” que, na verdade, nunca foi de ouro, no máximo banhado a ouro, ou quem sabe de prata, bronze ou arame comum. Como olhar para tudo isso? Leia a segunda parte deste artigo e saiba mais. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Cuide-se, cuidando do outro

O trabalho com casais e famílias requer mais que embasamentos teóricos e práticos. É necessário que o profissional saiba lidar com os próprios relacionamentos interpessoais, conjugais e familiares para poder trabalhar terapeuticamente e envolver-se, sem prejuízo ao atendimento e a si mesmo. As experiências traumáticas e histórias doloridas relatadas pelos casais e famílias penetram nas psiques (almas) desses cuidadores, ao ponto de, em alguns casos, levarem os profissionais ao adoecimento. A pergunta, então, é: quem cuida do cuidador? Ainda existe uma forte crença de que o profissional terapeuta não deve se envolver com os problemas dos pacientes. No entanto, na prática, isto é impossível. Imagine um profissional da família recebendo uma mãe aos prantos, desesperada, porque seu filho de 12 anos é um “aviãozinho”, ou seja, trabalha para um traficante, entregando drogas. Se esse terapeuta não se sensibilizar com a dor dessa mãe, é hora de procurar outra profissão.  O mito da neutralidade caiu por terra, há muitos anos. A neurociência está aí para mostrar que captamos os estímulos com as retinas dos nossos olhos e traduzimos o que vemos por meio de nossas experiências e expressões. Necessariamente, o profissional não precisa ter vivido uma situação semelhante à do paciente. Ele só precisa compreender que a “dor da alma” é um sentimento universal. A riqueza, a beleza e a eficácia do trabalho terapêutico com casais e famílias acontecem quando os relatos penetram no psiquismo do profissional. Ele não pode fazer nada, a não ser absorvê-los, elaborá-los e devolvê-los de uma forma profissional, que ajude seus pacientes a minimizar, aliviar ou curar as dores e os sofrimentos que atingem suas mentes e almas. Quando Freud (1920) criou a instância da consciência, sabia que uma vez que a pessoa entra em contato com determinada informação, não tem como devolvê-la.  É assim que acontece com o profissional: não tem como se isentar do que ouviu do casal ou da família. Segundo Bowen (1976), 70% de um bom terapeuta de casal e família estão na pessoa do profissional, ou seja, com ele lida com as suas relações interpessoais, conjugais e familiares. Os outros 30% são os fundamentos teóricos e práticos que adquire nos cursos de atualizações, aperfeiçoamento e especialização. Um bom profissional de casais e de família tem sempre que estar com “um olho no gato e outro na sardinha”, o que significa cuidar dos seus pacientes, e, ao mesmo tempo, cuidar da própria saúde mental e emocional. Pessoalmente, como terapeuta de casais e de famílias, eu procuro me cuidar, aprendendo com meus pacientes como lidar com as minhas relações interpessoais, conjugais e familiares. No entanto, muitas vezes preciso me submeter a supervisões clínicas e tratamento psicológico para não adoecer. Dessa forma, posso relaxar, cuidando do “gato” enquanto saboreio a “sardinha”. Pense nisso nas suas relações, seja de trabalho como as sociais e familiares.  Quando você cuida do seu próximo com carinho, afeto e acolhimento significa que as fontes primárias desses sentimentos nobres estão em você. Por isso, cuide-se cuidando para não secá-las. Boa sorte e bom trabalho! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 2

Na parte 1 deste artigo, começamos a discutir o que significa o casamento nos moldes “gaiola de ouro” e como as histórias experimentadas nas famílias de origem podem interferir na dinâmica relacional do casal. Caso queira ler a parte 1 deste artigo clique AQUI. Pois muito bem: ao trabalhar terapeuticamente essas armadilhas relacionais vividas pelos casais, ressaltamos que essas são “prisões antigas”, isto é, esposo e esposa podem trazer, em suas bagagens históricas, algumas questões não resolvidas. Isso significa que não se tornaram prisioneiros engaiolados a partir do casamento e, sim, na convivência com suas famílias de origem. Em geral as formas que aprisionam os cônjuges começam na infância, adolescência e permanecem na vida adulta, e durante o casamento podem ser potencializadas. Um dos fatores que contribui para aliviar, minimizar e libertar os cônjuges dessas prisões é a conscientização de que é possível exercer a liberdade individual, mesmo estando em um relacionamento conjugal. Em outras palavras, sentir-se livre para viver sua autonomia e liberdade pessoal não é necessariamente incompatível com o casamento, pois tudo depende do contrato estabelecido entre os cônjuges. As assombrações do passado Dentro desse contexto, não é raro encontrarmos casais presos em suas “gaiolas de ouro”, tentando fugir dos “fantasmas familiares” que transmitem os conflitos emocionais não resolvidos das gerações anteriores. Os “fantasmas familiares” perpetuam-se por meio das crenças, segredos, mentiras, mitos e principalmente pela repetição desses conflitos emocionais não resolvidos. Uma das maneiras mais utilizadas pelos cônjuges para fugir dos referidos fantasmas é a aquisição de bens materiais ou o desenvolvimento da intelectualidade como uma forma de reparar as feridas e as sequelas emocionais vividas na tenra infância. Em alguns casos, pode ocorrer que os cônjuges, ao alcançarem novo status social, econômico e intelectual e, ao mesmo tempo, o ápice de suas carreiras profissionais, reclamem da “sensação de vazio”. Com o passar do tempo, eles descobrem que, ao correr atrás do “ouro”, se afastam de um “brilhante não lapidado”, ou seja, o seu mundo de emoções composto por uma parte lúdica, rica, criativa e uma parte recheada de conflitos emocionais ainda sem solução. Em outras palavras, quando esposo e esposa resolvem fugir dos sofrimentos emocionais experimentados em suas famílias de origem, eles estão, na verdade, fugindo de si mesmos. Esse processo de fugir das dores emocionais tentando compensá-las com a aquisição de bens materiais ou pela intelectualidade faz parte de um mecanismo de autossabotagem, que influencia a dinâmica dos relacionamentos conjugais. É comum ouvir as pessoas casadas proferindo frases como: “Vou devolver esse marido ou essa esposa ao Procon (Serviço de Proteção ao Consumidor). “Comprei uma Brastemp e me entregaram uma geladeira comum”. Na parte 3, a última deste artigo, vamos falar dos casamentos que mais parecem teias de aranha. Confira. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Adaptável, rebelde ou criativo? Qual perfil combina com você?

Todos, de uma forma ou de outra, precisam adaptar-se para não sucumbir. No início da vida, vivemos o que Freud (1895) denominou desamparo inicial. Precisamos assimilar circunstâncias e realidades das famílias onde nascemos e dos pais ou cuidadores que nos ampararam. Temos de ser gratos a essas pessoas. Sem elas, teríamos sucumbido. Mas chega o momento de seguir em frente, com as próprias pernas. Nesse instante, os perfis se configuram e cada indivíduo reage de um jeito diferente para seguir sua história. PRIMEIRO PERFIL O perfil do indivíduo adaptável está relacionado à pessoa que permanece enraizada nos valores, hábitos, costumes, crenças e comportamentos apreendidos no período do desamparo inicial, vivem como se fossem robôs naturais. Repetem tarefas e criam rotinas, inebriados por um tédio existencial. Funcionam inconscientemente como se fossem uma xerox dos ensinamentos passados por seus cuidadores, tendem a ser vulneráveis aos estímulos e circunstâncias do mundo. Como profissionais, são excelentes cumpridores de regras, sem questioná-las. O mundo pode estar desabando. Mesmo assim, vivem para manter o controle e não perder a segurança de sua adaptação cega diante dos conflitos e crises pessoais, interpessoais, conjugais, familiares e profissionais. São o que chamamos de pessoas “mornas”. SEGUNDO PERFIL Do outro lado, estão os indivíduos reativos, rebeldes, que brigam por tudo e por todos. Quando perguntados aonde querem chegar, não sabem dizer. Vivem com a mente em erupção e em constantes perturbações. Se não as têm, as criam. Fundamentam suas explicações em crenças e teses criadas a partir dos seus pontos de vista. Sabem de tudo um pouco, mas não se especializam em nada. São raivosos e magoados, sempre do contra só por ser. Com isso, não percebem o prejuízo causado a sua saúde mental quando tentam provar para o mundo que a sua argumentação é a que realmente vale. Em geral, usam atributos racionais teóricos para se defender e não se colocam nos diálogos interativos, dando referências externas para embasar o que pensam,  como “segundo disse o fulano”… Não deixam transparecer o que sentem e o que pensam. Em geral são profissionais competitivos, aguerridos e facilmente captados por demandas desafiadoras e ousadas. De um jeito ou de outro, para não ceder ou aceitar o que outros dizem ou defendem, argumentam em cima de falsos fundamentos, ficam bravos, hostis e às vezes agressivos, mostrando sua irritação por meio de palavras e gestos. Pessoas reativas são redundantes em discursos, têm um padrão de comunicação sonolento e batem sempre na mesma tecla. Perdem o foco da conversa, são dispersos no trabalho e, nos processos interpessoais, são movidos por uma adrenalina de compulsão inconsciente. Declaram-se ansiosos por conta das demandas que recebem, mas não percebem que acabam criando essas demandas na tentativa de preencher um “vazio existencial”. TERCEIRO PERFIL Outro perfil é o de pessoas criativas que, em geral, são dóceis, sabem o quer, têm uma autonomia singular, ouvem e qualificam seus interlocutores. Em geral, não precisam menosprezar o próximo para se engrandecer. Resolutivos, enxergam soluções no lugar dos problemas. Boas parceiras, elas trabalham em grupo sempre que necessário. Em geral, não são egoístas, nem egocêntricas. Preferem paz à guerra, porém, não evitam conflitos, pois reconhecem que não existe a possibilidade de se viver as relações humanas sem eles. E você, qual destes perfis tem ou gostaria de ter? Talvez, procurar ser criativo é dar luz ao seu sol interior, afinal, você veio a este mundo para abrilhantar as pessoas com as quais convive, assim como receber delas o que têm de melhor. Ser dócil, solidário e criativo pode torná-lo um ser humano melhor e o mundo um lugar mais bacana para se viver. Como trilhar esse caminho? Nós podemos ajudá-lo. Basta entrar em contato conosco! Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 3

Nas partes 1 e 2 deste artigo, que você pode ler no nosso site, clicando nos links abaixo, discutimos um dos modelos de casamento, a gaiola de ouro, que gera um vazio nos cônjuges focados em aplacar suas frustrações e mágoas, vivenciadas em suas famílias de origem, com status social e intelectual. clique aqui para ler parte 1  – clique aqui para ler a parte 2 Nesta última parte do artigo, vamos tratar de outro modelo de casamento, conhecido como teia de aranha. Ele funciona com um pântano, que contém areia movediça. Quanto mais os cônjuges se mexem mais afundam em suas frustrações, fracassos, acusações, gerando, em alguns casos, agressões verbais e físicas, cujo resultado são processos de separação conflituosos e intermináveis. A analogia com a teia de aranha é uma forma de elucidar como alguns cônjuges convivem de um modo aprisionador, semelhante à luta dos insetos que caem nas teias armadas pelas aranhas fiandeiras. Assim como os insetos, esposa e esposo são pegos pelas redes das várias situações não resolvidas, oriundas das famílias de origem e, na maioria das vezes, inconscientes e doentias. Tanto os insetos como os cônjuges não sabem que quanto mais se debatem para tentar sair da armadilha, mais aprisionados ficam e correm maiores riscos. De um lado, temos os insetos que, por conta dos movimentos desesperados, anunciam suas localizações para as aranhas fiandeiras por meio da vibração táctil. Do outro lado estão os cônjuges, que tentam resolver os novos conflitos da relação conjugal, que formam a “teia invisível de conflitos inconscientes”, trazidos de suas famílias de origem, usando percepções de mundo individualizadas, inconcebíveis em uma vida que se propuseram a construir a dois. Abrindo gaiolas e desfazendo teias Para finalizar esta nossa reflexão, é importante salientar que se o seu casamento é do tipo “gaiola de ouro”, tentar fugir não vai resolver o problema. Lembre-se: quem nunca aprendeu a alçar altos e longos voos libertadores não vai fazer isso fugindo da gaiola que construiu em sua relação conjugal. É por isso que a ajuda profissional pode levar a uma melhor compreensão do motivo que o impediu ou que o impede de se libertar de histórias passadas para poder  voar  mais longe e  mais alto. Nem os pássaros aprendem a voar sozinhos. Eles precisam do apoio dos pais para bater as asas e seguir em frente. A arte de se sentir livre é o exercício das várias experiências relacionais possíveis que o ser humano exercita no seu transitar entre a liberdade individual e os contextos relacionais onde está inserido. Mas se o seu casamento é do tipo teia de aranha, e estiver em crise ou entrar em rota de colisão, com desencontros cada vez mais potencializados, não adianta se desesperar. Quanto mais se debater, mais vai agredir e acusar quem está ao seu lado. Dessa forma, maiores serão as chances de você não encontrar a solução para os sofrimentos emocionais que corroem a relação conjugal. Vale lembrar que, ao se debater durante uma crise conjugal, você estará fornecendo “munição” para   quem dorme ao seu lado. Como diz um velho ditado, “às vezes o silêncio é mais libertador do que mil palavras ofensivas”. Em momentos críticos de crise conjugal é sempre relevante procurar ajuda profissional. Encerro esta nossa conversa deixando a certeza de que você pode contar conosco para ajudá-lo a desfazer teias e abrir gaiolas. Convido a todos a apreciar uma música que acho incrível, um verdadeiro poema, composição de Walter Franco, gravada pela Leila Pinheiro. Chama-se “Serra do Luar” e traduz o que é essa mágica experiência de se superar, amadurecer e começar tudo de novo, sempre. Porque “viver é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro. A toda hora, a todo momento, de dentro pra fora, de fora pra dentro”. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Um app para aprofundar o seu autoconhecimento e o trabalho terapêutico

Em recente encontro com estudiosos das áreas de educação, saúde e demais ciências humanas, realizamos uma mesa-redonda para discutir o tema “A Inteligência Artificial a Serviço da Psicologia: Mecanismos e Avanços”. O objetivo do debate era compreender como ferramentas e recursos tecnológicos podem contribuir às diversas áreas do conhecimento, sem perder a riqueza e a importância dos relacionamentos humanos. Já sabemos que o novo ou desconhecido, muitas vezes, gera medos, resistências, mitos e dúvidas. Entre os anos 1760 e 1820, a era da revolução industrial, o homem teve de lidar como a angústia de sucumbir diante das máquinas a vapor e, depois, das máquinas elétricas. Também sabemos que o progresso e o desenvolvimento têm bônus e ônus. No entanto, os avanços tecnológicos são fato, porque vieram para ficar. Como bônus, a tecnologia quando bem aplicada, gera mais tranquilidade, certezas e previsibilidade, dando-nos o conforto de estarmos no controle de diversas condições e circunstâncias que a vida nos impõe. Não se faz ciência a partir de fatos que não ocorreram, caso contrário, estaríamos trabalhando no campo das probabilidades, do “achismo”. Temos consciência de que aplicativos e softwares não são determinantes, nem donos da verdade. Eles são meios, instrumentos que ajudam a ciência a melhorar a qualidade de vida das pessoas. O que determina o resultado final é o ser humano que está por trás desses recursos. Ou seja, máquinas humanas e máquinas artificiais dependem da ética e da responsabilidade de cada pessoa sobre seus atos e atitudes, inclusive na forma como tratamos nosso semelhante. Nossa experiência mostra que não são as máquinas que desumanizam as relações. Nós é que nos deixamos automatizar e “robotizamos” a relação com o próximo, tratando-o com um “estranho” ao nos mostrar indiferentes às suas dores e aos seus sofrimentos e, algumas vezes, deixando prevalecer o preconceito. No evento, ao qual me referi no início deste artigo, lançamos o nosso aplicativo “meet yourself ”. Ele se destina a um trabalho de orientação psicológica, parcialmente assistida por computador, seguindo a metodologia da Terapia Sistêmica Breve. A ferramenta é composta por 12 sessões, sendo 8 delas sessões orientadas pelo  computador. As demais, o usuário precisa procurar seu terapeuta para continuar o tratamento, tendo em mãos um relatório em PDF para ajudar o profissional a dar seguimento ao processo terapêutico. O que estamos fazendo hoje, como uma das ações da Família Com Vida, divulgando esse aplicativo, tem o claro objetivo de ajudar pessoas a prevenir doenças físicas e emocionais, relacionamentos tóxicos e construir relações qualificadas, inclusive entre famílias e escolas. Nossa inspiração são os softwares inteligentes, como aqueles que conseguem diagnosticar doenças com maior precisão para apoiar o diagnóstico médico. Um exemplo de sucesso, bastante conhecido por evitar a morte de muitas mulheres, são as tecnologias usadas para detectar o câncer de mama. Convido você a conhecer melhor o nosso app, que estamos compartilhando com pessoas e profissionais interessados em autoconhecimento e no apoio a terapias com famílias, casais, crianças e adolescentes, para uso pessoal ou clínico. Entre em contato para saber mais: (11) 5084-4749 ou sebastiao.souza@familiacomvida.com.br Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Ser flexível: qualidade de pessoas nobres

A flexibilidade afetiva é a capacidade de a pessoa aprender sobre seus sentimentos e emoções na interação como outro. Aprender no sentido de internalizar as experiências vividas, ao observar, identificar e compreender o que aquela conversa, aquele toque, abraço, beijo ou até mesmo uma relação sexual transmitiu algo especial ao seu organismo, tanto físico como mental. Algo semelhante aos filmes românticos, em que a mocinha acha que o primeiro beijo vai fazê-la erguer o pezinho ou um fará o sininho interno tocar. A flexibilidade afetiva caiu em desuso nos dias de hoje, a partir da excessiva racionalização patológica potencializada por um processo de intoxicação causado pelas mídias digitais. Sem contar com a avalanche desenfreada dos oráculos de autoajuda que levam pessoas a planilhar suas vidas pessoais e profissionais, criando verdadeiros climas de paranoias e um grau de ansiedade exacerbada, podendo desencadear fobias ou até mesmo a síndrome do pânico. Afinal, não é humano se preparar para o futuro com premissas e pressupostos apenas baseados em pensamento positivo. Na tentativa de controlar totalmente a vida, muitas pessoas ficam enrijecidas, perfeccionistas, com uma saída pronta embaixo do braço ou no aplicativo, para qualquer eventualidade. A receita dos gurus nunca falha. Mas, se algo der errado, foi porque você “não soube” interpretar a lição. As pessoas que não têm flexibilidade afetiva vivem mais no futuro do que no presente. Pacientes nos consultórios terapêuticos, quando solicitados para nomear o que sentem ou quais as emoções vivenciam com quem estão interagindo, muitas vezes respondem “não sei” ou “nunca pensei nisso”. Pessoas inflexíveis afetivamente tornam seus parceiros invisíveis. Um indivíduo nobre aprende sobre si a partir do outro, o que requer gratidão e humildade para reconhecer que, assim como todos, é um ser incompleto e em constante aprendizado e evolução. Ser nobre é ter capacidade de flexibilizar-se afetivamente frente ao outro, para ajudar a desvendar os “pontos cegos” da alma (o psique) aos quais, sozinho, não se tem acesso. Ser flexível afetivamente é pedir às pessoas que você nomeou para conviver (em sua vida interpessoal, conjugal, familiar e profissional) a apontarem suas mazelas, seus defeitos, incoerências, deslealdades, infidelidades… Enfim, as questões que você não gosta de ver em você mesmo. Exemplo: se é uma pessoa orgulhosa ou agressiva, possivelmente deveria compreender que essas características não agradam ninguém. Por isso, peça ao (a) seu (sua) parceiro(a) para te ajudar quando estiver  se comportando dessa forma. A flexibilidade afetiva não é algo novo. Desde bebê passamos a desenvolvê-la com nossas mães e pais e eles aprendem conosco.  No entanto, o processo de socialização de crianças, adolescentes e adultos, em uma sociedade competitiva e racional como a nossa, muitas vezes é considerado descartável e não produtor de pessoas de sucesso. Em outras palavras, aprender sobre nossos sentimentos ou emoções com o outro, para muitos, seria perda de tempo, uma vez que tudo que precisamos nós encontramos no Doctor Google. Você acredita nisso também? Para saber se você vai contra a maré e possui a qualidade de aprender com o outro para ser tornar uma pessoa cada vez mais nobre, responda as seguintes  questões, assinalando a alternativa que mais condiz com sua forma de pensar: Reflita sobre cada resposta, sinceramente, e perceba o que você quer para você de hoje em diante: um ser nobre ou um indivíduo medíocre? Lembre-se: sempre é tempo para aprender a se flexibilizar diante da vida, olhar para o lado e perceber que, neste momento, alguém precisa e também quer doar um abraço. Interaja, viva, celebre! Viver é se reconhecer a partir do outro. Quer se conhecer mais e ser uma pessoa cada dia mais nobre? Entre em contato conosco, que podemos te ajudar. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Por que nossos jovens estão cometendo suicídio?

Certa vez perguntaram para o médico psiquiatra, doutor Claude Olivenstein, estudioso e pesquisador sobre o fenômeno da dependência química, como uma pessoa se tornava dependente. Ele usou uma metáfora para elucidar a questão: “Vocês conhecem aquelas dunas de areia que embelezam as praias do nordeste brasileiro? Um dia o vento soprou um grão de areia que parou em uma moita de capim. No outro dia, um vento mais forte soprou dois grãos de areia, que pararam na mesma moita, e assim sucessivamente. De ventos em ventos, e de grão em grão, formaram-se aquelas dunas maravilhosas que lá estão”. Dunas de areia, dependentes químicos e estudantes suicidas não são muitos diferentes. Ao nascerem onde os ventos das relações familiares e conjugais sopram, muitas vezes lançam grãos, não de areia, mas de desamor, desamparo, desproteção, de desqualificação das tristezas vividas pelas crianças e pelos adolescentes. Por vezes, esses núcleos familiares agem de outra forma, tão prejudicial quanto: protegem as crianças e os adolescentes dos ventos saudáveis inerentes à condição humana, como aprender a lidar com a frustração, a interagir com próximo, a ampliar o seu potencial de tolerância, enfim, criam uma redoma de proteção tão forte que acabam por impedir que seus filhos entrem em contato com a realidade. Você já deve ter visto pais com crianças de 2 ou 3 anos em restaurantes. Ambos com seus celulares nas mãos e a criança com um pequeno tablete, assistindo desenho animado. Com certeza, se essa prática for uma constante na família, “ventos dessa interação familiar” não trarão bons resultados no futuro. Caso estejamos interessados em encontrar soluções para evitar os recorrentes suicídios de estudantes nas escolas, é melhor adotarmos uma postura de maior complexidade com relação a esse fenômeno tão triste. Adolescentes não se suicidam por acaso. Ainda crianças começam a demonstrar alguns indicadores (grãos de areia), como: apatia, isolamento social e afetivo, justificado pelo excesso de intoxicações de jogos eletrônicos, smartphones e celulares, baixa autoestima, baixa tolerância à frustração, comportamentos que demonstram que a relação com outro e consigo mesmo não têm muito sentido. Quase sempre são muitos intelectualizados, as emoções vêm em segundo plano, não sentem saudades dos pais ou de amigos, demonstram indiferença a dores e perdas de familiares e amigos. Várias vezes se referem às questões emocionais não resolvidas com já superadas. Quando sentem dores da perda se isolam, pois sabem que se forem levar essas questões aos pais, na maioria das vezes, elas serão desqualificadas por eles. Em geral, as famílias e os casamentos carregam segredos mantidos como se os filhos fossem invisíveis. Nos consultórios clínicos, uma boa parte de casais e pais mantém segredos sobre a existência de parentes depressivos, suicidas, casos de abusos sexuais, enfim, situações que levaram um dos pais a desenvolver um quadro depressivo por algum tipo de circunstância ou, até mesmo, por ter predisposição genética. Em uma realidade nua e crua, escola e família perdem essa luta juntas, por não se unirem. A família sonega informações sobre o histórico familiar das crianças e dos adolescentes e a escola não se interessa em perguntar, já que terá mais trabalho e requer tempo para investigar melhor os comportamentos autodestrutivos e destrutivos de seus alunos. Para fechar este artigo, cito esta metáfora: “entre o mar e o rochedo, o marisco é que leva a pior”. Assim, com relação aos suicídios dos estudantes, noticiados pela imprensa, na falta de uma percepção mais apurada e complexa do que é esse fenômeno, tanto por parte da família como da escola, é o aluno que vai a óbito. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias

Família: aceitar ou… Correr pra longe

Nossas experiências na infância, adolescência e vida adulta, com pais, irmãos, avós, tios, primos, são verdadeiras fontes de aprendizagens que nos nortearão para o resto da vida. Muito comum ouvir alguém perguntar o que se aprende em ambientes familiares em que havia tantas dores e sofrimentos. A resposta é: várias coisas! Por exemplo, resiliência, mecanismos de sobrevivência e preservação, formas de lidar com sentimentos de injustiça, com mágoas, rejeição, frustração, desamparo e desproteção, obstáculos presentes em outras circunstâncias, como trabalho e relações sociais. Por isso, como não podemos negar nossas histórias e experiências vividas, só nos restam duas opções: Tê-la como ponto de referência para a construção de novos projetos vida, o que pressupõe ressignificar e reconstruir dores e sofrimentos experimentados no passado, no seio familiar. Depois, é preciso transformá-los em competências e imunidades emocionais, características essenciais para ampliar a uma chance de encontrar alguns fragmentos do que imaginamos ser nosso verdadeiro “eu”, até então misturados com os “eu” de nossos entes queridos. Negar nossas histórias e experiências passadas que nos constituíram. Em outras palavras, é caminhar sem parâmetros e seguir a vida sem sentimento de pertencimento. Semelhante a uma árvore com raiz não muito profunda, sujeita a queda no primeiro vendaval. Nos consultórios clínicos, muitas vezes, pessoas reclamam que não gostam do pai ou da mãe, dos avôs, tios ou quem deveria ser seus cuidadores por diferentes motivos. Geralmente são adultos que, quando crianças ou adolescentes, se sentiam abandonados, desprotegidos, rejeitados, agredidos verbal ou fisicamente e, em certos casos, abusados física e emocionalmente. Como não ficar magoados, revoltados e não rejeitar esses contextos familiares tão hostis e agressivos? No entanto, é essencial não fugir desses sentimentos. Quando fugimos, perdemos a chance de nos conhecer melhor. Passamos a viver como fugitivos de nós mesmos, dissociando uma parte de nossa história, o que gera um “vazio” inexplicável. EXEMPLO Uma criança nasce em um lar onde os pais acreditam que evitar conflitos é a melhor maneira de se viver, criando um paraíso sem atrito, colocando-os embaixo do tapete. Essa criança pode adotar a postura de politicamente correta, boazinha, não saber como encarar os desafios e obstáculos. Outra criança, que nasce em um lar com muitas brigas, alcoolismo, agressões físicas e verbais, pode criar um mecanismo de sobrevivência de “insensibilidade emocional”, por meio da racionalidade, para não entrar em contato com as dores e sofrimentos do passado. Os exemplos mostram que, quando fugimos de nossas famílias de origem, fazemos uma alquimia mental ou “magia”, transformando dores do passado em fantasmas com os quais somos obrigados a conviver no presente, fugindo, também, da própria história. Essa postura leva a um sentimento de desconexão de nós mesmos.Portanto, se você corre tanto e não sabe o porquê, procure identificar se os fantasmas que criou na sua mente, a partir da fuga das histórias familiares, já não passaram do limite e é hora de exorcizá-los. Fantasmas não morrem, atravessam gerações e destroem famílias, casamentos e demais relações. O melhor remédio para fantasmas é a realidade. Caso tenha dificuldades não resolvidas com seus familiares, aproveite para perdoá-los e, também, se perdoar por aquilo não que conseguiu enxergar e resolver em outros momentos da sua vida. O tempo, quando usado para reconstruir nossas histórias, é um grande aliado. Quando usado para fugir de realidades da vida, é um grande alimento para os fantasmas amedrontadores de famílias e casamentos. Sebastião SouzaPsicoterapeuta de casais e famílias