
Mudança e desconforto: duas faces da perda do controle Em geral, quando pensamos em mudanças, sentimos um desejo imediato, quase natural, de permanecer na “zona de conforto”, justificado pela psicologia do senso comum com expressões como: “em time que está ganhando não se mexe”; “é melhor o certo do que o duvidoso”; “mais vale um passarinho na mão do que dois voando”. É melhor esperar. Quem sabe amanhã as coisas melhorem… Esse grupo de pessoas acredita que, após longos anos de promessas e expectativas, algo mágico resolverá suas questões pendentes do passado.De modo geral, esses indivíduos vivem muito mais no mundo dos desejos e fantasias do que da realidade, aguardando que obstáculos sejam superados independentemente de suas ações. No entanto, eles não mudam suas atitudes, comportamentos e percepções sobre os fenômenos do passado que tanto causaram e causam dor.Com o passar do tempo, essas situações doloridas, por permanecerem inalteradas, tendem a se cristalizarem, desencadeando sintomas de desesperança, um terreno propício para o desenvolvimento de distúrbios emocionais, doenças autoimunes e psicossomáticas. Para que mudar minha vida? Não está como eu gostaria, mas está melhor do que mereço. De modo geral promover mudanças de comportamento quase sempre traz um ônus, ou seja, um preço a ser pago.Na maioria das vezes, quando mexemos ou rompemos com a nossa “zona de conforto”, esse movimento tende a desencadear resistências, ao ponto de reprimirmos o desejo de mudar, por causa do preço a pagar por essa mudança.Para melhor compreensão desse tema, extremamente subjetivo e complexo, vamos fazer uma analogia com o cardápio de um restaurante, comparando-o ao processo de mudança comportamental.É de conhecimento de todos que, ao nos acomodarmos em uma mesa de um restaurante, recebemos o cardápio com o que é servido na casa. Em geral, a lista dos pratos fica à esquerda e a dos preços à direita. Imagine que estamos em um restaurante bem-sucedido no ranking da gastronomia, com os mais diversos pratos finos, glamorosos e caros.Essa relação de custo/benefício é um jargão muito usado no mundo corporativista, implicando a famosa lei universal ”tudo na vida tem um preço”.Em nossas vidas não é diferente. Quando queremos mudar algum tipo de comportamento, existe o preço a pagar, ou seja, o de abandonar velhos hábitos e padrões comportamentais viciados, deixando-os para trás.É nesse momento que geralmente surgem certos desconfortos prejudiciais a nossa vida pessoal, conjugal, familiar, profissional ou social. Quase sempre ouvimos alguém dizer: “pior do que está não pode ficar” De um modo geral, a vida é um emaranhado de experiências. Algumas são boas, outras, dependendo da percepção de cada um, podem ser traumáticas, porém, não deixam de ser fonte de aprendizagem. Manter-se na “zona de conforto” para evitar os incômodos e dores é semelhante a ter visão e se negar a enxergar.Em um restaurante bem colocado no ranking gastronômico, os pratos constantes do cardápio são caros. Então, imagine o preço que você está pagando quando não muda determinados comportamentos e atitudes viciados que prejudicam a sua qualidade vida.Pensando nisso, que tal fazer uma avaliação de você mesmo? Como anda a sua resistência a mudanças? Em uma escala de 0 a 10, no ranking de qualidade de vida e de padrão de felicidade, qual nota você se dá hoje?Boa sorte!

Renúncia: um ato de amor ou uma atitude impensada? Em princípio, qualquer ato e tomada de decisão devem ser respeitados, pois as decisões geram sofrimentos pessoais e desencadeiam, naquele que a pratica, a corresponsabilidade perante todos que cativou. Decisões provocam mudanças e escolhas e, até que se prove o contrário, o ser humano é um ser singular, universal e histórico.Além disso, não podemos esquecer que a trajetória de uma pessoa é construída a partir de seus atos e atitudes.Neste caso, o ato é o de renunciar e, para melhor compreensão, é preciso contextualizá-lo historicamente.O ato de amor ou a atitude impensada não pode ser interpretado como algo estritamente pessoal, pois é necessário respeitar esse ser histórico que, compelido por suas convicções pessoais, culturais, espirituais e políticas, tem certos componentes que integram o seu modo de estar no mundo, conferindo-lhe o direito à liberdade e autonomia no exercício do livre arbítrio.Jean-Paul Sartre foi mal interpretado em uma de suas colocações quando disse: “Deus não existe”, sendo alvo de crítica por vários setores da sociedade.Quando se faz uma leitura sobre essa citação, podemos inferir que o autor nos convida a compreender que o homem, ao praticar um ato individual, torna-se responsável não somente por esse ato, mas, também, assume a corresponsabilidade de sua postura diante de toda a humanidade, ou seja, o homem é um ser livre para construir sua existência, uma vez que atos, atitudes e posturas são pilares formadores de sua essência ao longo de sua caminhada histórica.Portanto, renunciar pode ser um ato de amor ou uma atitude impensada, mas é ainda a postura que faz o homem sentir-se livre diante do seu Criador e de suas amarras pessoais, políticas, culturais e espirituais.E você, o que acha sobre o ato de renunciar ou não? Dê a sua opinião.

Em dor conhecida não se mexe…Será? Felizmente ou infelizmente, nossos paradigmas e nossas crenças são os filtros de percepções que modelam atitudes e comportamentos da nossa vida diária.As experiências vividas em nossas famílias de origem podem ser felizes e prazerosas, porém, algumas vezes, determinados eventos imprevisíveis desencadeiam dores, desconfortos físicos e psíquicos que deixam sequelas e feridas que muitos preferem “não mexer”, como se isso fosse possível.Este artigo pretende expor o risco que algumas pessoas correm ao paralisarem ou congelarem as dores sofridas no passado, por determinados estressores familiares ou conjugais, tais como separações conjugais conflituosas, morte súbita de um ente querido, diagnóstico terminal ou paciente dependente químico na família, dentre outros.Queremos derrubar a crença de que “em dor velha não se mexe, pois se corre o risco de doer mais”. Para isso, elegemos três tipos de perfis de pessoas com o objetivo de desfazer esse paradigma. O primeiro diz respeito a indivíduos que desenvolveram o sentimento de “desesperança aprendida”.O segundo é de pessoas que internalizaram o “desprazer como um mecanismo de defesa” e são capazes de encontrar prazer no desprazer.Por fim, os “doutores da teoria do tudo”, que constroem teorias para resolver as mais diversas questões sem fazer uso dessas teses na prática cotidiana. Desesperança aprendida Esse grupo de pessoas acredita que, após longos anos de promessas e expectativas, algo mágico resolverá suas questões pendentes do passado.De modo geral, esses indivíduos vivem muito mais no mundo dos desejos e fantasias do que da realidade, aguardando que obstáculos sejam superados independentemente de suas ações. No entanto, eles não mudam suas atitudes, comportamentos e percepções sobre os fenômenos do passado que tanto causaram e causam dor.Com o passar do tempo, essas situações doloridas, por permanecerem inalteradas, tendem a se cristalizarem, desencadeando sintomas de desesperança, um terreno propício para o desenvolvimento de distúrbios emocionais, doenças autoimunes e psicossomáticas. Desprazer como um mecanismo de defesa As pessoas deste grupo, ao sentirem uma grande dor, geralmente causada por perdas significativas de um ente querido, separações conjugais conflituosas, morte súbita de pessoa próxima, dentre outras situações previsíveis ou imprevisíveis, geradores de traumas mentais ou físicos, tendem a desenvolver o sentimento de prazer no desprazer.Esse mecanismo é uma forma de sobrevivência, de se adaptaram a viver no desprazer, para evitar a velha “dor conhecida” que pode ser reeditada a qualquer momento.De modo geral, essas pessoas se utilizam de argumentos, explicações para não expressar suas emoções e com isso fazem uso de uma “racionalização patológica” que justifique todos os medos, as inseguranças, fragilidades e vulnerabilidades frente ao fantasma do passado.Com o “desprazer”, busca-se a tentativa de racionalizar os sofrimentos emocionais e controlar os insucessos, as possíveis frustações advindas do que, de fato, é prazer e lazer. Esse comportamento tem como base a crença de que mais vale um desprazer conhecido do que um prazer novo, incerto e perigoso.. Doutores da teoria do tudo As pessoas desse grupo constroem teses sobre quaisquer dores mentais ou físicas, criando formas teóricas de resolver problemas de ordem prática, simplesmente baseando-se na opinião pessoal, tudo para não enfrentar a parte prática da vida cotidiana.O processo de teorizar tudo possivelmente está a serviço do medo do fracasso e insucesso, distanciando a teoria da prática, temendo, no exercício da prática, reeditar dores antigas não resolvidas.De modo geral, esses indivíduos pensam e agem como se a vida tivesse um receituário. Na maioria das vezes, utilizam teorias e temas para tentar, desesperadamente, controlar as variáveis que compõem a vida prática.É por isso que, muitas vezes, essas pessoas desenvolvem pseudos-self, ou seja, falsos “eus” baseados em argumentações racionais que sustentem sua defesa sobre questões não superadas, empobrecendo suas percepções e os aspectos emocionais envolvidos.Essa forma de evitar o contato com a vida prática, por vezes acaba favorecendo o desenvolvimento de quadros de distúrbios emocionais: grau elevado de ansiedade, angústias crônicas, fobias, síndrome do pânico, doenças de dermatológicas e alérgicas.Para finalizar nossa reflexão, compartilho o trecho de uma música do cantor e compositor Chico Buarque, chamada “Bom conselho”: “Ouça um bom conselho/Que lhe dou de graça/Inútil dormir que a dor não passa”.Parafraseando a canção, reforço que é inútil tentar racionalizar, teorizar e desesperar, porque a dor não passa. Em dores conhecidas do passado ou você mexe com ela ou ela mexe com você. A escolha é sua.

O chato é um cara legal Muitas vezes, quando escrevemos um artigo, ele nada mais é do que reflexo de questionamentos que estamos nos fazendo naquele momento. Talvez este aqui seja um desses e, confesso, devo estar me tornando um velho rabugento, porque tem hora que nem eu me aguento.Em um grupo de amigos, eu comentava sobre os últimos artigos que tinha escrito para o site da Famíliacomvida. Uma das amigas comentou: “Meu, você só escreve sobre as limitações dos outros. Por que você não escreve sobre suas limitações? Cara… Você é um chato”.Depois dessa, proponho fazer aqui algumas reflexões sobre ambos os lados do chato. Primeiro, acho o chato um cara legal, porque ele nunca tem a intenção de fazer mal a ninguém.Às vezes, ele pode ser um pouco inadequado, incoerente, mas sempre tentando agradar. Em outros momentos, ele é muito falante, mas nada que chegue a ser irritante.Na mesa de bar, entre um papo e outro, ele procura mostrar que entende de economia e política global, mas, geralmente, colhe informações fragmentadas em noticiário virtual.No entanto, há de se concordar que fica mais complicado aturar sua chatice quando ele tenta falar difícil e bancar o intelectual com teorias e teses baseadas em leitura de jornal.Pode ser pior quando o chato resolve dar uma de crítico de cinema e teatro. Quando perguntado qual a fundamentação de seu ponto de vista, ele responde, na maior tranquilidade, que se baseou em uma síntese no caderno de cultura de algum grande jornal.Tem também o chato acadêmico. Aquele que passa no vestibular e se torna universitário. Poucos meses depois já está defendo dissertações de mestrado e tese de doutorado, sem terminar o ano letivo oficial. Fala sério: o chato é ou não é um cara legal? Sim. O chato é um cara legal. Pense comigo: se você está em apuros, não é ele que sempre tem uma ideia genial, que não cai bem, mas também não faz mal?Ele é sempre muito engraçado e não suporta ninguém de baixo astral. Com suas tiradas e histórias bem-humoradas transforma um ambiente em um festival.Às vezes banca o “bobo da corte” mesmo sem querer só para o amigo não sofrer.Sempre se coloca no sacrifício, como bonzinho, só para não perder a amizade do vizinho.Tem uma festa para organizar? Ele sempre se dispõe a ajudar, somente para tentar agradar.Todo chato é um misto de político, economista e intelectual, o que faz de suas gafes e piadas a alegria geral.O chato geralmente tem conta no Youtube, possui vídeos na internet e fala com vários amigos no Watshap, dizendo que está “pegando total”. Mas quando a galera o aperta dizendo que vai apresentar-lhe uma “menina legal”, ele pula fora e diz que não está a fim porque não quer compromisso oficial. O chato é ou não é um cara genial? É um sujeito simples que faz parte da população em geral. Ele só quer agradar e, por vezes, extrapola na sua chatice por não saber a medida de sua meninice.O chato, quando tem uma DR (discutir a relação), e ai o bicho pega legal, pede desculpa e atribui o seu nervosismo a uma crise pessoal.A verdade é que de chato e louco todo mundo tem um pouco, mas, o importante no final, é que pessoas que se amam têm seu diferencial.Não sei, mas desconfio que ser chato é um estado de espirito. Digo isto porque já vi muita gente que acorda legal, trabalha e estuda durante o dia, dando o melhor do seu potencial, e na hora de dormir, algumas vezes se dá conta de que sua prática laboral tornou sua vida robotizada, pois, no dia seguinte, no trabalho a mesma rotina se repete.Apesar disso, levanta de alto astral. O chato é ou não um cara que merece o reconhecimento nacional? No final, o que posso afirmar é que ser chato é uma fase. Você ainda não passou por essa etapa infernal? Então reze e, quando ela chegar, peça para seus amigos que te acolham nesta fase sazonal, pois, até que se prove o contrário, não existe uma vacina que garanta imunidade total sobre a chatice do homem, esse ser animal.

O Ministério da Dependência adverte: amar demais faz mal à saúde O filósofo, escritor e dramaturgo Jean-Paul Sartre (1905-1980), fez, entre muitas, duas colocações que chamam a atenção de todos nós quando se trata de “discutir a relação”, situação mais conhecida como DR: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós fazemos do que fizeram de nós”; e “o inferno é outro”.As colocações desse pensador representam bem a forma de interagirmos com outras pessoas, seja nos relacionamentos pessoais, profissionais ou interpessoais.A primeira fala de Sartre refere-se a aceitar passivamente as experiências vividas na infância ou adolescência e colocar-se como “vítima do mundo”, ou, ao contrário, dar a volta por cima, isto é, re-significar e reconstruir essas experiências, seguindo em frente de cabeça erguida.Na segunda frase, “o inferno é outro”, a pessoa geralmente não assume que sua forma de comportar-se e de relacionar-se com outras pessoas pode desencadear seus sofrimentos físicos e emocionais, ou seja, passa a viver processos relacionais como se ele não fosse o construtor do próprio “inferno particular”.Neste artigo, desejamos despertar o seu interesse sobre o tema “vício de amar”, mais conhecido por codependência afetiva, uma forma disfarçada de a pessoa não assumir sua incapacidade de amar e, com esse comportamento, acabar por sufocar os que fazem parte de seus processos relacionais.Essa codependência é um padrão de comportamento relacional aprendido e internalizado na infância e adolescência, que se manifesta na fase adulta por meio de um vício, ou seja, cuidar do dependente.Em geral, a pessoa com esse transtorno o faz de forma inconsciente, sem perceber que está tentando compensar situações conflituosas da infância ou adolescência, não resolvidas, como: falta de amor, acolhimento, aceitação, proteção e amparo por parte de seus cuidadores, pais, avós, tios, instituições, ou seja, todos aqueles que cuidavam ou deveriam ter cuidado de seu desenvolvimento físico e emocional no início de vida. Salvadores da pátria. Só que não… A pessoa codependente constrói um falso papel de “salvador da pátria” nos seus diversos processos interacionais de cuidar, sejam eles nos relacionamentos interpessoais, com pessoas dependentes do álcool e outras drogas, ou com pessoas que desenvolvem vícios relacionados ao trabalho, à compulsão, ao sexo, aos jogos de azar, à comida, dentre outros.Este papel de “salvador da pátria”, na maioria das vezes é uma tentativa de cuidar de maneira sufocante e controladora do outro e, dessa forma, evitar que as fragilidades, vulnerabilidades físicas e emocionais da pessoa cuidadora, vividas no passado, sejam reeditadas e/ou reencenadas no presente nos diversos processos relacionais.O “vício de cuidar”, na maioria das vezes, torna-se compulsivo, abusivo e transforma a pessoa cuidadora em um escravo na relação ao cuidar do outro. Em outras palavras, toda pessoa que desenvolve esse modo de interagir é considerado um codependente.Ela desenvolve um processo de simbiose entre a pessoa que ama e cuida e entre a pessoa amada e cuidada. O codependente, com a intenção de demonstrar o seu grande amor pela pessoa que ama e cuida, usa de ciúmes exagerado, sentimentos de posse, chantagens emocionais e, por vezes, reclama que todo o seu “amor e dedicação” não estão sendo reconhecidos.Uma pessoa viciada em amar afetivamente não consegue fazer distinção entre os seus sentimentos de desamparo, abandono, falta de amor e acolhimento, vividos na infância e adolescência, e acaba projetando suas expectativas e idealizações na relação com a pessoa amada, responsabilizando-a pela sua angústia, ansiedade e carência afetiva diante dos insucessos, fracassos e rejeições amorosas.Essa forma de amar e cuidar excessiva transforma a pessoa com quem o codependente está se relacionando em um ser invisível. Esse modelo de amar e cuidar indiscriminado anula, desqualifica e despersonaliza a pessoa amada e cuidada.Por exemplo: um adulto que não se sentiu amado e acolhido na infância e adolescência, no momento de se relacionar afetivamente com alguém, tenta criar e desenvolver um “vínculo compensatório” na esperança de suprir suas carências emocionais.É bem provável que, na ansiedade e desespero de sentir-se amado, consiga ser induzido por uma “cegueira emocional ou paixão”, ou seja, enxergar “um príncipe encantado” no lugar do “um sapo intragável”.O codependente afetivo não se dá conta de que, para se livrar do “inferno particular”, produzido por ele mesmo, e do papel de “vitima dominadora” que construiu, precisará passar novamente pelas “armadilhas infernais” que compõem os processos amorosos vividos por todos os seres humanos.Todos nós gostaríamos de viver e de enxergar o que desejamos e idealizamos, porém só podemos vivenciar e visualizar o que nossas experiências físicas e emocionais de interação com o mundo real nos permitem. Não existe outra saída.Estudos e pesquisas desenvolvidos pela neurociência têm demonstrado que, para nosso cérebro registrar, aprender e viver as várias formas de relacionamentos, é necessário exercitar novas interações com o mundo real.Um cérebro que nunca viu um tucano ou uma rosa não sabe reconhecer o que é um tucano ou uma rosa. O cérebro de uma pessoa viciada em amar, que nunca experimentou outras maneiras de viver esse sentimento, não consegue enxergar e vivenciar outras formas que não sejam as controladoras, sufocantes e escravagistas, que tornam a outra pessoa invisível.Para sair dessa armadilha, que não leva a lugar algum, só mesmo com ajuda profissional e muita vontade de mudar. É também por isso que estamos aqui, para fazer a nossa parte e apoiar codependentes afetivos nas suas descobertas e reconstruções.Como dizia o poeta Otto Lara Resende , em seu poema Vista Cansada, “o diabo é que de tanto ver a gente banaliza o olhar”. Vê não vendo. É assim que são relações de codependência afetiva. As pessoas tornam-se invisíveis, um diante do outro.Atenção! O Ministério da dependência adverte: se for amar de novo, procure escapar da repetição.

Pais reféns, filhos ditadores É comum os pais chegarem aos consultórios clínicos com a seguinte pergunta: “Por que nossos filhos nos odeiam, nos rejeitam e são autoritários conosco? Onde será que erramos?”Essa situação lembra uma história. Certa vez, durante um workshop aqui no Brasil, perguntaram para o médico Claude Olievenstein como se forma uma pessoa com comportamentos autodestrutivos/destrutivos ou um dependente químico. A resposta dele nos serve para fazer uma analogia com o tema deste artigo, sobre pais que se sentem reféns de seus filhos ditadores.O professor respondeu, usando uma metáfora: “Vocês conhecem aquelas dunas de areia do Nordeste? Pois é. Elas são formadas por vários componentes, mas os três mais importantes são os grãos de areia, o pé de capim e o auxílio do vento. Um dia o vento soprou um grão de areia e esse parou em um pé de capim. No outro dia o vento soprou dois grãos de areia que pararam nesse mesmo pé de capim e assim aconteceu sucessivamente. Após alguns anos, os grãos de areia foram se acumulando em torno do pé de capim e hoje temos as famosas dunas nordestinas”.Os pais presentes, após momentos de reflexão sobre o que ouviram, concluíram que realmente trabalharam duro, tiveram uma vida honesta, construíram um patrimônio financeiro razoável e deram uma boa educação aos filhos, na expectativa de que eles fossem gratos e reconhecessem seus esforços, o que nem sempre acontece.Nesse mundo mágico, preparado pelos pais para seus filhos, é possível detectar, logo no início da infância e adolescência, que quando os pais não colocam limites, não traçam regras de convivência familiar e evitam conflitos para não magoar os filhos, acabam acumulando questões não resolvidas, formando uma espécie de duna irreal ou fantasiosa. Proteção “bumerangue” A falta de limites e regras para crianças e adolescentes pode ser comparada àquele grão de areia que o vento soprou e que parou no pé de capim, transformando tudo em uma duna. Nas famílias não é muito diferente: a ausência de regras e limites acaba acumulando questões não resolvidas, o que pode desencadear processos autodestrutivos e destrutivos ou, até mesmo, um quadro de dependência química.Vale ressaltar que, na maioria das vezes, os pais constroem projetos e criam expectativas irreais com relação à vida dos filhos. Para tentar sustentar esse mundo fantasioso, transformam-se em verdadeiros super-heróis.Esses comportamentos e atitudes dos pais têm como objetivo proteger sua prole das frustrações, decepções e dos fracassos que encontrará pela vida afora.A proteção excessiva tem um “efeito bumerangue”, já que os filhos nessa situação, em sua maioria, ficam vulneráveis ao convívio socialEssa vulnerabilidade surge por meio dos insucessos, derrotas e fracassos que eles terão de enfrentar frente a diversas dificuldades que a vida impõe. De um modo geral, essas dificuldades são cobradas dos pais em forma de dívidas emocionais, dívidas essas que são impagáveis, o que transforma os filhos em implacáveis ditadores familiares.Nesse sentido, parece que quando as relações entre pais e filhos caminham nessa direção de reféns e ditadores, uma das possibilidades para quitar as dívidas emocionais é a reconstrução e a re-significação dos vínculos afetivos nas relações familiares.Será que os pais e filhos estão dispostos a mexer nessa relação? Ao que tudo indica, essas relações são análogas à formação de uma duna, só que construídas não com areia, mas com mágoas, raivas e frustrações.Para os pais e os filhos que desejam construir relações sadias, fincadas em solo fértil e não na areia, podemos afirmar que a mudança é possível. Podem contar conosco para ajudá-los. É só entrar em contato.

Pai, um ser dotado de muita expertise Um amigo meu sexagenário, que chamo de Landim, tem o hábito de sempre que nos encontramos contar algumas histórias, enquanto saboreamos um cafezinho ou até mesmo um chope. Uma dessas histórias vou compartilhar com você, caro leitor.Dizia ele que seu pai era um misto de herói e uma pessoa simples e humilde, muito trabalhador e responsável, porém a qualidade que Landim mais admirava nele era a forma como contava causos mirabolantes. Passou, então, a fazer uma pequena descrição desse homem, um negro, alto, não muito bonito, um ser bondoso, sujeito desconfiado, carinhoso, um tanto arredio, sempre pensativo, que reclamava de não ter tido a oportunidade de estudar. Por isso trabalhava bastante, para dar exemplo a seus filhos e a sua esposa, pois acreditava que um homem que não tem estudo precisa demonstrar sua honestidade por meio do trabalho. Por isso dizia para todo mundo: “Enquanto eu tiver saúde irei trabalhar“. Para ele, quem trabalha um pouco a mais do que a maioria das pessoas adquire crédito com Deus, repetindo o velho ditado “quem trabalha Deus ajuda”.EnquantoLandimdescrevia seu pai, os seus olhos brilhavam, denotandomuita admiração pelo seu progenitor. Ele falava da curiosidade que seu pai tinha e da facilidade em aprender.O pai de Landim exercia várias profissões como pedreiro, bombeiro hidráulico, pintor de parede, e, em algumas vezes, arriscava-se como eletricista, o que quase sempre se tornava um perigo, pelo simples fato de ser uma pessoa inquieta, podendo causar um acidente. Meu amigo disse que se seu pai tivesse feito terapia, provavelmente o diagnóstico seria de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Landim sorria ao relembrar as tiradas do seu pai/herói, que dizia, nas suas prosas, que não gostava de pessoas “preguiçosas da cabeça” . Para ele “essa gente fala que não sabe fazer uma coisa, sem ao menos tentar uma vez”, dando apelidos a esse tipo de pessoa: “Dona não consigo” ou “Senhor não consigo”.O meu amigo Landim relatou, com orgulho, quando seu pai construiu a primeira casa para a família. Ainda menino, ele ajudou cavando os buracos para o alicerce, ressaltando que, apesar de na época ter 11 anos de idade, guarda até hoje na memória essa responsabilidade que lhe foi dada.Contou que esperava ansiosamente a aprovação de seu pai com relação a tarefa que tinha recebido para executar. Era gratificante quando ele a aprovava, dizendo “muito bem! Vamos embora porque hoje nós trabalhamos bastante. Agora é torcer para que Deus não se esqueça de anotar nossos créditos”. Somos um punhado de histórias Durante a narrativa das proezas e façanhas de seu pai, em certo momento notei em seu rosto um leve tom de tristeza e sua voz saiu embargada quando relatou não sabia o lugar onde seu pai estava, mas, com certeza, deveria continuar trabalhando. Nunca esqueceu das frases que seu pai dizia como: “Quem trabalha não tem tempo para pensar em besteiras”, e repetia sempre outro ditado: “cabeça vazia é arapuca do diabo”.Não saberia explicar a tristeza estampada no rosto do meu amigo, talvez marcada pelas saudades e sensação de desamparo. Naquele momento, ouvindo essa história, foi possível compreender como a dor da perda de um ente querido deixa sequelas psíquicas e continua fazendo muito barulho na cabeça daqueles que ficam.Talvez os nossos encontros para um café ou chope, juntamente com o rememorar dessa história, sirva como fonte de aprendizado para que eu e meu amigo possamos nos dedicar um pouco mais ao amor e ao acolhimento que temos recebido e doado aos nossos entes queridosAos 91 anos, o pai de Landim falava para todo mundo: “Deus é bondoso comigo, pois sempre me orientou como conduzir minha vida e a de minha família. Me considero um bom aluno. Acho que adquiri alguns créditos com o Criador”.Sua crença de que tinha crédito com Deus o levava a pedir favores ao Criador: “Gostaria de morrer primeiro que qualquer uma das pessoas que amo”, ou seja, antes dos filhos, netos, bisnetos e esposa. Foi assim que aconteceu. Pode-se dizer que os créditos valeram e que ele foi um sortudo.Essa faceta do pai de Landim também mostrava um lado meio pretensioso. Afinal, ele acreditava que tinha créditos com o Todo Poderoso, como se pudesse manter uma poupança para a vida eterna. Créditos do Banco Central do Criador Em uma de suas caminhadas matinais, Landim e seu pai entraram na igreja para assistir à Missa. Como não estavam com roupas adequadas para aquele evento, porque vestiam bermudas, regatas velhas e surradas, chinelos de dedo, meu amigo comentou: “O senhor não acha esquisito entrarmos na igreja? Todo mundo está arrumado, com roupas novas e bonitas, e nós estamos bagunçados”. Mal acabou de argumentar, o pai deu a resposta: “Já te falei. Deus dá um desconto, porque eu tenho crédito lá em cima”, e abriu um sorriso maroto com o canto da boca.Landim confidenciou que seu pai pediu para ele seguir devagar na vida, e que, de preferência, vivesse intensamente cada história construída com as pessoas do seu convívio, pois as histórias são formas de mantermos vivos aqueles que amamos. Também desabafou, dizendo que não sabia se teria a honra de obter o crédito que seu pai sempre teve com o Criador, ou seja, morrer antes das pessoas que amava. Mas de uma coisa ele tinha certeza: estava tentando ser melhor a cada dia, como ser humano, marido, pai, filho, avô, procurando seguir o conselho de seu velho pai, pedindo a Deus para contabilizar seus créditos, se é que estava sendo bom aprendiz.“Nossa!”, exclamou de repente, “estou ficando igual ao meu pai, me achando. Nem sei se Deus tem banco mesmo. E, se tem, pode ser que meu nome esteja sujo no Banco Central do Criador (BCC)”. Rimos juntos desses deliciosos delírios, inspirados no pai de Landim.Pouco depois, ele coçou a cabeça e concluiu: “Pensando bem, se não fosse meu pai, não estaria aqui para contar essas pequenas histórias. Por isso, sou eternamente grato a ele e a Deus”. E emendou: “A prosa está

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 3 Nas partes 1 e 2 deste artigo, que você pode ler no nosso site, discutimos um dos modelos de casamento, a gaiola de ouro, que gera um vazio nos cônjuges focados em aplacar suas frustrações e mágoas, vivenciadas em suas famílias de origem, com status social e intelectual.Nesta última parte do artigo, vamos tratar de outro modelo de casamento, conhecido como teia de aranha. Ele funciona com um pântano, que contém areia movediça. Quanto mais os cônjuges se mexem mais afundam em suas frustações, fracassos, acusações, gerando, em alguns casos, agressões verbais e físicas, cujo resultado são processos de separação conflituosos e intermináveis.A analogia com a teia de aranha é uma forma de elucidar como alguns cônjuges convivem de um modo aprisionador, semelhante à luta dos insetos que caem nas teias armadas pelas aranhas fiandeiras.Assim como os insetos, esposa e esposo são pegos pelas redes das várias situações não resolvidas, oriundas das famílias de origem e, na maioria das vezes, inconscientes e doentias.Tanto os insetos como os cônjuges não sabem que quanto mais se debatem para tentar sair da armadilha, mais aprisionados ficam e correm maiores riscos.De um lado, temos os insetos que, por conta dos movimentos desesperados, anunciam suas localizações para as aranhas fiandeiras por meio da vibração táctil. Do outro lado estão os cônjuges, que tentam resolver os novos conflitos da relação conjugal, que formam a “teia invisível de conflitos inconscientes”, trazidos de suas famílias de origem, usando percepções de mundo individualizadas, inconcebíveis em uma vida que se propuseram a construir a dois. Abrindo gaiolas e desfazendo teias Para finalizar esta nossa reflexão, é importante salientar que se o seu casamento é do tipo “gaiola de ouro”, tentar fugir não vai resolver o problema. Lembre-se: quem nunca aprendeu a alçar altos e longos voos libertadores não vai fazer isso fugindo da gaiola que construiu em sua relação conjugal.É por isso que a ajuda profissional pode levar a uma melhor compreensão do motivo que o impediu ou que o impede de se libertar de histórias passadas para poder voar mais longe e mais alto. Nem os pássaros aprendem a voar sozinhos. Eles precisam do apoio dos pais para bater as asas e seguir em frente.A arte de se sentir livre é o exercício das várias experiências relacionais possíveis que o ser humano exercita no seu transitar entre a liberdade individual e os contextos relacionais onde está inserido.Mas se o seu casamento é do tipo teia de aranha, e estiver em crise ou entrar em rota de colisão, com desencontros cada vez mais potencializados, não adianta se desesperar. Quanto mais se debater, mais vai agredir e acusar quem está ao seu lado. Dessa forma, maiores serão as chances de você não encontrar a solução para os sofrimentos emocionais que corroem a relação conjugal.Vale lembrar que, ao se debater durante uma crise conjugal, você estará fornecendo “munição” para quem dorme ao seu lado. Como diz um velho ditado, “às vezes o silêncio é mais libertador do que mil palavras ofensivas”. Em momentos críticos de crise conjugal é sempre relevante procurar ajuda profissional.Encerro esta nossa conversa deixando a certeza de que você pode contar conosco para ajudá-lo a desfazer teias e abrir gaiolas. Aproveito para compartilhar o vídeo de uma música que acho incrível, um verdadeiro poema, composição de Walter Franco, gravada pela Leila Pinheiro. Chama-se “Serra do Luar” e traduz o que é essa mágica experiência de se superar, amadurecer e começar tudo de novo, sempre. Porque “viver é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro. A toda hora, a todo momento, de dentro pra fora, de fora pra dentro”.

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 2 Na parte 1 deste artigo, começamos a discutir o que significa o casamento nos moldes “gaiola de ouro” e como as histórias experimentadas nas famílias de origem podem interferir na dinâmica relacional do casal.Pois muito bem: ao trabalhar terapeuticamente essas armadilhas relacionais vividas pelos casais, ressaltamos que essas são “prisões antigas”, isto é, esposo e esposa podem trazer, em suas bagagens históricas, algumas questões não resolvidas. Isso significa que não se tornaram prisioneiros engaiolados a partir do casamento e, sim, na convivência com suas famílias de origem. Em geral as formas que aprisionam os cônjuges começam na infância, adolescência e permanecem na vida adulta, e durante o casamento podem ser potencializadas. Um dos fatores que contribui para aliviar, minimizar e libertar os cônjuges dessas prisões é a conscientização de que é possível exercer a liberdade individual, mesmo estando em um relacionamento conjugal.Em outras palavras, sentir-se livre para viver sua autonomia e liberdade pessoal não é necessariamente incompatível com o casamento, pois tudo depende do contrato estabelecido entre os cônjuges. As assombrações do passado Dentro desse contexto, não é raro encontrarmos casais presos em suas “gaiolas de ouro”, tentando fugir dos “fantasmas familiares” que transmitem os conflitos emocionais não resolvidos das gerações anteriores.Os “fantasmas familiares” perpetuam-se por meio das crenças, segredos, mentiras, mitos e principalmente pela repetição desses conflitos emocionais não resolvidos.Uma das maneiras mais utilizadas pelos cônjuges para fugir dos referidos fantasmas é a aquisição de bens materiais ou o desenvolvimento da intelectualidade como uma forma de reparar as feridas e as sequelas emocionais vividas na tenra infância.Em alguns casos, pode ocorrer que os cônjuges, ao alcançarem novo status social, econômico e intelectual e, ao mesmo tempo, o ápice de suas carreiras profissionais, reclamem da “sensação de vazio”.Com o passar do tempo, eles descobrem que, ao correr atrás do “ouro”, se afastam de um “brilhante não lapidado”, ou seja, o seu mundo de emoções composto por uma parte lúdica, rica, criativa e uma parte recheada de conflitos emocionais ainda sem solução. Em outras palavras, quando esposo e esposa resolvem fugir dos sofrimentos emocionais experimentados em suas famílias de origem, eles estão, na verdade, fugindo de si mesmos.Esse processo de fugir das dores emocionais tentando compensá-las com a aquisição de bens materiais ou pela intelectualidade faz parte de um mecanismo de autossabotagem, que influencia a dinâmica dos relacionamentos conjugais.É comum ouvir as pessoas casadas proferindo frases como: “Vou devolver esse marido ou essa esposa ao Procon (Serviço de Proteção ao Consumidor). Comprei uma Brastemp e me entregaram uma geladeira comum”.Na parte 3, a última deste artigo, vamos falar dos casamentos que mais parecem teias de aranha. Confira.

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 1 Você vive uma dessas situações na sua relação? Conhece alguém que passe por isso? Quem sabe algumas das informações que quero compartilhar neste artigo possam contribuir para aliviar, minimizar ou libertar você ou seu amigo dessas formas aprisionadoras de parcerias conjugais, construídas especialmente nos períodos de crise.Mas talvez você seja um afortunado e não vivencie nada disso. Se assim for, parabéns! Continue driblando as crises do seu relacionamento, pois, provavelmente, você é um artista ou um mágico. No entanto, caso seu casamento tenha se transformado em um emaranhado de armadilhas impossíveis e imagináveis, então seja bem-vindo ao mundo dos mortais.Nem sempre o sonho de um casamento sem conflitos é possível, principalmente quando se trata de relacionamentos humanos. Na maioria das vezes, desejo e realidade são incompatíveis, raramente se tornam complementares.Porém, não fique assustado ou triste. Saiba que os sentimentos de frustração, fracasso, rejeição e os desencontros diante nos relacionamentos são algumas das experiências que permeiam as dinâmicas conjugais.É comum encontrarmos casais apaixonados que se declaram diariamente os mais sortudos do mundo: “Encontrei minha cara-metade, minha alma gêmea, meu par perfeito”. Então, caro leitor, é aí que mora o perigo. Isto porque o desejo e a realidade se sobrepõem, e é assim que se inicia uma procura pela completude, levando os cônjuges a uma “cegueira conjugal aprisionadora”. A gaiola que aprisiona O casamento “gaiola de ouro” aparentemente parece um modelo bem-sucedido. Quando acrescido de status social e econômico, melhor ainda, afinal, quem compara a vida conjugal a ouro é reconhecido e referendado pelos seus pares, já que ter uma relação no estilo “sonho dourado” faz parte da expectativa de todos os que se casam.Alto lá! Não podemos esquecer que os cônjuges permanecem presos. É sempre bom lembrar que, apesar de ser de ouro, é uma gaiola, e quem está preso não pode voar para muito longe.Ao utilizar a metáfora “gaiola de ouro” como um padrão relacional aprisionador dos cônjuges é importante compreendermos quando esse modelo de relacionamento começou a ser construído.Muito provavelmente, os primeiros materiais conscientes e inconscientes usados para o início da construção da “gaiola de ouro” dos cônjuges fazem parte de suas histórias individuais trazidas das famílias de origem.De modo geral, essashistórias carregam consigo algumas questões não resolvidas como: segredos, crenças, lutos não elaborados, conflitos com o pai ou a mãe, lealdades familiares.As questões não resolvidas nas famílias de origem dos cônjuges têm a capacidade de transformar o material de primeira mão utilizado pelo casal durante o casamento em material de segunda, ou seja, as questões não resolvidas nas famílias anteriores contaminam o material usado para construir a “gaiola de ouro” que, na verdade, nunca foi de ouro, no máximo banhado a ouro, ou quem sabe de prata, bronze ou arame comum. Como olhar para tudo isso?Leia a segunda parte deste artigo e saiba mais.