Na primeira parte deste artigo, discutimos o conceito do delator e do denunciador no contexto político. O primeiro tem o objetivo de fazer denúncias para reduzir sua pena, pagando algum preço por isso. O segundo, mais intrigante e perigoso, é expert em discursos dúbios e em se fazer de vítima, passando a ser admirado por muitos.

Como este último perfil se comporta na realidade familiar e conjugal?

Em geral, na família, o denunciador tem a proteção de pessoas mais velhas que se interessam pelas causas escusas, como os segredos, falcatruas, mentiras e as infidelidades. Na política, ele se esconde e se protege atrás das velhas raposas políticas que se perpetuam no poder.

O denunciador usa da empatia e de sua inteligência social para conquistar o poder.

Porém, o mais difícil mesmo, é que denunciador parece ter o prazer de denunciar por denunciar. Não tem provas, não vai ter redução das suas penalidades. Basta abrir a boca e exercer o direito da liberdade de expressão sem nenhuma responsabilidade pelas consequências de seus atos. Caso seja questionado por familiares, tende a bancar a vítima, dizendo: “já que não posso me expressar, então vou me retirar”, mas isto depois de já ter lançado seu veneno mortal.

De modo geral, a alegação do denunciador na política é sempre a mesma: está sendo perseguido pelos que se opõe aos direitos dos menos favorecidos e que querem tirar o seu poder porque sabem que ele luta por um país mais justo e igual para todos.

O que sabemos é que o ditado “o peixe morre pela boca” pode ser traduzido da seguinte forma: o animal aquático, quando está com fome, peixe pequeno ou tubarão, sai à caça para suprir sua fome, uma necessidade fisiológica.

No caso de nossos contextos, os denunciadores ou delatores são “tubarões” que caçam suas presas para delapidar, na família ou na política, o patrimônio alheio, porque têm fome de poder, de prestigio, privilégios, ambição. Não se importam se as pessoas que confiaram ou confiam na sua integridade são prejudicadas. Na família, ficam mágoas, ódios, separações, questões não resolvidas, só interessando ao denunciador a sua posição de detentor da verdade.

Em alto mar peixe pequeno serve de alimento para tubarões.

Em cenário político, confuso e corrupto, o eleitor desinformado é usado para a perpetuação de antigas práticas ilegais de pseudodemocratas.

Em geral, na política, o denunciador ou delator é um peixe grande que necessita se perpetuar no poder e, com isso, o peixe pequeno (povo) mais desavisado vira motivo de diversão nas rodas de amigos políticos, com churrasco de final de semana, combinando o que cada um vai denunciar ou delatar para que ninguém perca a mordomia de ser rebaixado de tubarão para peixe pequeno.

Enfim, para finalizar esta conversa, sugiro que você tenha muito cuidado com os delatores ou denunciadores, porque eles costumam dar uma de psicólogos, decodificando muito mal o trecho que lhes interessa. Para eles, vale a máxima: “sou responsável pelo que falo, mas não posso ser responsável pela interpretação das pessoas e autoridades que estão me julgando”.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Na vida familiar ou política, “o peixe morre pela boca” – parte 2