Evitar o contato com crises, conflitos ou insucessos é uma forma de morrer em doses homeopáticas.

O medo do fracasso, o terror, a frustração e a baixa intolerância no trato com outro são ingredientes facilitadores da morte em vida. Começamos a morrer quando o sentimento de desamparo passa a ser uma parte significativa de nossas relações pessoais e profissionais, dando sentido às nossas atitudes, ações e manifestações comportamentais.

A falta de respostas acalentadoras, que possam acalmar a mente no caos, faz com que dias e noites pareçam intermináveis frente às dores desconhecidas que a vida impõe, causando um quadro de apatia. Dores que, por vezes, parecem transcender à condição humana, como a perda ou a iminência da ausência do pai, mãe, filho, amigo… Dores impossíveis de serem compreendidas, mas que servem de remédio para aumentar a nossa imunidade emocional.

Os sentimentos de impotência e desamparo podem matar, mas, também, podem ser fontes de curas para quem acreditar que a aprendizagem é uma das poucas competências que imuniza o ser humano no seu processo de evolução da vida para a morte.

Vivemos como eternos aprendizes, com baixas imunidades emocionais, já que, ao final, somos vencidos por uma morte sábia/ignorante, que aguarda de braços abertos todos os que passaram pela vida sem usar seus potenciais máximos, nas relações pessoais, profissionais, nas suas famílias e nos casamentos.

Viver é aprender. Aprender é criar imunidade emocional nas nossas experiências relacionais. Essa aprendizagem promove o caos, a ansiedade dilacerante ou até, em alguns casos, angústia catastrófica, troca do velho pelo novo, fazendo o aprendiz se sentir “sem lenço, sem documento”. As experiências frustradas que vivemos são fontes enriquecedoras de imunidades emocionais, ajudando-nos a ser potencialmente imunes e resilientes. Nossas experiências caminham de mãos dadas com nossas aprendizagens e essa interação nos imuniza frente às adversidades e circunstâncias da vida.

A baixa imunidade emocional é prima do desamparo, irmã da depressão e mãe conciliadora da morte. Conciliadora porque entre vida e morte não existe saída, porque o vencedor é predefinido. Então resta conciliar.

O desamparo é o início do processo de depressão, salvo as heranças genéticas. É a própria consolidação da entrega à desesperança e falta de sentido na vida. É por meio do desamparo e da depressão que se inicia o nosso mecanismo de defesa, de cisão entre as nossas razões e emoções. Para fugir das possíveis dores emocionais avassaladoras da vida, como o diagnóstico de uma doença terminal, nós usamos a razão patológica como proteção para não encara que, ao final, a morte sempre vence.

A consciência de finitude é uma das maiores fontes de imunidades emocionais que podemos adquirir. A morte traz imunidade para aqueles que, em vida, apreendem com suas famílias, casamentos, na vida pessoal, profissional e com os amigos, compreendendo que imunidade emocional é semelhante ao processo de algumas vacinas. É preciso entrar em contato com os malefícios dos corpos estranhos (algumas vezes venenos) em doses homeopáticas para sair imunizado.

Na vida também é assim: quem deseja adquirir certa imunidade emocional, precisa encarar que a vida foi nos dada de graça, para aprendermos a ser melhores a cada dia. É a morte que confere plenitude à vida.

AGORA É COM VOCÊ

Faça uma lista contendo as circunstâncias e pessoas com quem convive (família, casamento, profissão, amizades).

Dê uma nota de 0 a 10 para definir como você está cuidando da sua imunidade emocional em cada um desses contextos.

Caso você se dê uma nota 0, é porque já nasceu morto e não sabia.

Caso tenha atribuído uma nota 10, acabou de morrer e também não sabe.

Quem confere aprendizado ou imunidade ao ser humano é a sua incompletude. Por acaso, você gostaria de já estar completo?

Bom teste!

Um abraço a todos.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Baixa imunidade emocional mata